
samiam (créditos: @rafaelbinofotografia/@furiaunderground)
A turnê do Samiam no Brasil era, sem dúvida, um dos eventos mais esperados do ano. Promovido pela NDP (New Direction Productions), o retorno do quinteto ao país passaria por quatro cidades: Goiânia, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. Passaria, pois uma febre repentina do vocalista Jason Beebout fez a data de Goiânia ser cancelada, gerando apreensão entre os fãs. A preocupação, porém, logo foi dissipada pela produtora, que garantiu a realização das demais apresentações.
Em São Paulo, o encontro aconteceu em 25 de setembro, no tradicionalíssimo Hangar 110, ao lado dos veteranos do Garage Fuzz, de Santos, e da Burning Rage, de Goiânia. Bom… shows do Samiam por aqui, inclusive no próprio Hangar, não são exatamente uma novidade. A banda já é cativa em terras paulistanas, mas, sempre que uma nova apresentação é anunciada, surge aquela sensação de expectativa, como se fosse a primeira vez que o grupo estivesse desembarcando no país.
A primeira banda a subir ao palco foi a Burning Rage, que fazia sua estreia no Hangar 110. Com um som que combina hardcore melódico e elementos de metal, o grupo entregou uma apresentação pesada, melódica e, acima de tudo, muito bem definida. No setlist, estavam músicas como “Acorrentados“, “Falsas Verdades” e “O Jogo Começou“, entre outras.
Confesso que nunca tinha parado para ouvir a banda com atenção e foi uma grata surpresa encontrá-los ao vivo em um palco tão emblemático. A Burning Rage apresentou um show extremamente profissional e conseguiu chamar a atenção de quem ainda não conhecia seu trabalho.


Logo depois, foi a vez dos santistas do Garage Fuzz mandarem seu recado. Com a casa consideravelmente mais cheia em relação à primeira apresentação, a banda trouxe ao setlist aqueles clássicos que nunca falham, como “Embedded Needs“, “Dear Cinnamon Tea“, “A Mutt Running Nowhere” e “It’s Funny“. Também houve espaço para os trabalhos mais recentes, com músicas do EP Powerplant, lançado em agosto, entre elas “Flashpoint” e “Jaded“.
A apresentação reforçou o quanto o Garage Fuzz está consolidado com a atual formação, que conta com o vocalista Victor Franciscon, ex-Bullet Bane, desde 2020. Garage Fuzz no Hangar já virou um clássico, e vê-los novamente na casa foi sensacional. São décadas de hardcore, trabalho duro e uma constância que nem todo mundo consegue manter quando o assunto é qualidade.


Nada e nem ninguém pode parar o Samiam
Depois do Garage Fuzz, as tradicionais cortinas do Hangar se fecharam e começou a movimentação para que o Samiam ocupasse novamente aquele palco. Havia, claro, uma certa preocupação sobre as condições de Jason depois da febre que havia provocado o cancelamento da apresentação em Goiânia. Pois bem… ele estava recuperado. E fez o show.
A banda subiu ao palco e, logo de cara, vieram os riffs de “Lake Speed“, faixa introdutória do disco Stowaway, trabalho mais recente do grupo, lançado em 2023. Já na primeira música, era possível perceber que Jason ainda carregava alguns resquícios da febre que o havia derrubado no dia anterior. Ainda assim, o vocalista cantava a plenos pulmões.
O setlist passeou por diferentes momentos da discografia da banda, para a alegria dos fãs. Em alguns momentos, o público chegava a cantar as letras mais alto do que a própria banda. “Dead” e “Clean Up The Mess“, do disco Trips, estiveram entre as escolhidas e, como praticamente qualquer música do Samiam já se tornou um clássico para quem acompanha a banda, a plateia dividia com Jason o protagonismo de cada verso.
O show seguiu embalado por uma sequência de músicas que atravessam diferentes fases da carreira, como “Factory“, “Super Brava“, “Mexico“, “Dull” e “Sunshine“. Confesso que senti falta de uma das minhas favoritas, “Ordinary Life“, que havia aparecido no show de Lima. Mas tudo bem. Não havia exatamente do que reclamar.
O Samiam já é de casa. Durante toda a apresentação, havia uma conexão evidente entre banda e público, como velhos amigos que se reencontram depois de muito tempo. Para os fãs de emo, aquela era uma noite carregada de significado. Era a oportunidade de cantar nossas angústias, frustrações e medos junto de uma banda que se tornou trilha sonora de nossas vidas muito antes dos 30 e poucos… ou 40 e poucos.
Sem muita conversa, o show avançou por mais uma sequência de hits. “Mud Hill“, “80 West” e “September Holiday” dividiram espaço com as mais recentes “Monterey Canyon” e “Crystallized“, todas acompanhadas por intensos sing alongs. A essa altura, ninguém mais se importava com o calor dentro do Hangar, com as paredes suando ou com a casa abarrotada. Todos só queriam viver aquele momento e cantar junto com a banda até perder a voz.
Falar da qualidade da apresentação é chover no molhado. O som estava muito bem definido e permitia ouvir todas as nuances das músicas, algo que tornou a experiência ainda mais especial. E o melhor ficou para o fim: uma catarse embalada por “She Found You” e pelo clássico “Capsized“, responsável por fechar a noite.
Não teve febre, contratempo ou frio que parasse o Samiam naquela noite. E fica, mais uma vez, a lembrança de uma apresentação memorável do quinteto em São Paulo.






