
Touché Amoré (Créditos: Mara Alonso @mara.alonsoph/Musicult)
Na noite de 12 de setembro, o Cine Joia, em São Paulo, recebeu uma celebração especial: os dez anos de Stage Four (2016), quarto álbum de estúdio da Touché Amoré. Em uma apresentação única na América do Sul, a banda norte-americana tocou o disco na íntegra diante de uma casa cheia e de um público que parecia esperar pelo momento tanto quanto os próprios músicos.
A noite começou com a banda Sodade, que precisou antecipar seu horário em cerca de meia hora por questões logísticas. Mesmo assim, já havia uma quantidade considerável de pessoas na casa. Depois, foi a vez da Dialética, que também enfrentou um imprevisto ao precisar substituir seu baterista de última hora. Apesar disso, as bandas demonstraram enorme satisfação em fazer parte da programação.
Durante a apresentação das atrações brasileiras, o público ainda se mostrava um pouco tímido, mas acompanhava tudo de perto.


A atmosfera mudou com a chegada da francesa Celeste. Com pouca interação verbal, a banda apostou em uma apresentação mais sóbria. O ambiente aos pouco ganhou uma atmosfera mais sóbria com a iluminação baixa e os lasers vermelhos que os integrantes usavam na cabeça. E, então, conforme a apresentação avançava, o público se aproximava cada vez mais do palco, criando uma expectativa ainda maior para a atração principal.

Quando a Touché Amoré finalmente entrou em cena, a energia mudou completamente e o contraste foi bastante curioso. Quem esperava um show melancólico, considerando o fato de que Stage Four é um álbum profundamente marcado pelo luto, encontrou uma banda visivelmente feliz e animada por estar ali.
Jeremy Bolm, vocalista da Touché Amoré, fez questão de falar sobre a relação construída com o público e explicou que a ideia da turnê de dez anos era levar a celebração para alguns de seus lugares preferidos no mundo, e São Paulo estava entre eles. Por ser também o único show da banda na América do Sul nesta celebração, a noite ganhou um significado ainda maior. O vocalista ainda agradeceu às pessoas que vieram de longe para apreciar o show.
E a animação também foi visível desde o começo. A partir da primeira música, o público não diminuiu o ritmo. Rodas se formaram, diversos stage dives aconteceram e as músicas de Stage Four foram cantadas do início ao fim por uma plateia bastante dedicada. Dez anos após seu lançamento, as canções continuavam carregando o peso de suas histórias, mas, naquele palco, também representavam algo diferente: a possibilidade de transformar a dor em memória compartilhada.
Depois do set principal, a banda voltou para mais algumas músicas e pediu aos técnicos que aumentassem as luzes para que pudesse enxergar o público. Era um gesto simples, mas que resumiu bem a noite: uma banda que fazia questão de enxergar quem estava ali e um público que, dez anos depois, ainda sabia exatamente o porquê daquelas músicas significarem tanto.



