
Foto: Divulgação/ Universal Pictures
Existem cineastas que passam a carreira reinventando sua linguagem. Outros, mesmo que poucos, costumam sempre volta às mesmas obsessões, talvez para tentar mostrar seu ponto de vista de diferentes formas. Em Dia D, Steven Spielberg revisita o terreno da ficção científica que tanto o ajudou a consolidar sua trajetória, mas desta vez sem usar apenas à nostalgia.
Na nova produção vemos, antes de tudo, uma reflexão sobre o ato de descobrir, testemunhar e compartilhar um fenômeno em uma época marcada pelo excesso e pela desconfiança.
A premissa parte de um mistério já conhecido por Spilberg: anos de contatos extraterrestres escondidos por uma poderosa organização. Quando documentos secretos ameaçam vir à público, personagens são arrastados para uma corrida contra o tempo que pode mudar a forma como a humanidade imagina seu lugar no universo.
O filme entrega um ótimo roteiro que consegue passar por thriller, ficção científica e drama em pouco mais de duas horas.
Spielberg escolhe lançar o espectador diretamente no meio da ação. Tudo começa a acontecer sem grandes explicações iniciais, tudo é descoberto aos poucos. Essa escolha faz com que o público nao consiga tirar os olhos da tela, mas talvez soe exagerado em momentos onde conspirações do governo, memórias e fé surgem mais vezes do que o necessário.

Com uma ótima escolha de elenco, Dia D reafirma por que Spielberg continua sendo um dos maiores cineastas dessa geração. A fotografia é um bom exemplo disso: ela explora luzes, sombras e reflexos como elementos narrativos, criando a sensação constante de que algo grande está prestes a acontecer durante toda a narrativa.
Mais do que mostrar alienígenas, o filme parece interessado em registrar o impacto que o desconhecido provoca nos seres humanos. Spielberg sempre foi um cineasta fascinado pelo olhar e Dia D deixa isso ainda mais claro. Em tempos em que imagens inacreditáveis circulam por todos os lados, o longa questiona se ainda somos capazes de nos impressionar com alguma coisa.
Ao revisitar um tema qur o acompanha e que de certa forma o levou ao estrelato, Spielberg demonstra que seu interesse nunca esteve apenas nos visitantes de outros planetas (alô ET), mas na reação humana quando se depara com algo “impossível”. Dia D é um filme sobre encontros, sobre empatia e sobre a necessidade qur todos temos de compartilhar aquilo que nos deixa sem palavras, principalmente na era das redes sociais.
Embora existam pontos que poderiam ser diferentes, Dia D entrega talvez uma das produções mais completas do ano, e prova, mais uma vez, que o cinema (principalmente de Steven Spielberg) ainda é capaz de nos fazer olhar para o desconhecido com os olhos arregalados.



