
Foram 15 anos de espera. Longos 15 anos. Uma eternidade para quem aguardava ansiosamente o retorno dos estadunidenses do Superchunk ao Brasil. Por isso, o dia 31 de maio ficou marcado para os fãs de São Paulo como a oportunidade de reencontrar uma das bandas mais importantes do indie rock dos anos 1990.
O quarteto se apresentou no Cine Joia, em evento produzido pela Balaclava Records. Na noite anterior, o grupo havia tocado no Rio de Janeiro, o que contribuiu para que chegasse a São Paulo já contagiado pelo conhecido calor do público brasileiro. A receptividade se manteve mesmo diante do frio que tomava conta da capital paulista naquela noite de domingo.
Superchunk em São Paulo
A banda carioca Quedalivre completou o line-up e ficou responsável pela abertura. Com uma sonoridade repleta de camadas de delay, reverb e vocalizações etéreas, o grupo conduziu o público por atmosferas que alternavam momentos contemplativos e explosões de intensidade. O repertório incluiu músicas como “Lado Animal“, “Narciso” e “Escapismo“.

Apesar da pouca idade de seus integrantes, a banda demonstrou segurança e maturidade em uma apresentação visceral e energética, arrancando aplausos de um público que começava a lotar o Cine Joia. Fica, inclusive, a recomendação para quem ainda não conhece o trabalho do grupo.
Superchunk sobe ao palco
A espera terminou precisamente às 20h, quando o Superchunk entrou em cena na cidade de São Paulo sob aplausos que ecoavam antes mesmo do primeiro acorde. Com um sorriso simpático, o vocalista Mac McCaughan cumprimentou a plateia e afirmou estar feliz por retornar ao Brasil.
Ao seu lado estavam o guitarrista Jim Wilbur, a baterista Laura King e a baixista Betsy Wright, que tem substituído Laura Ballance nas apresentações ao vivo. O show começou com “This Summer“, levando o público a cantar junto desde os primeiros versos.
A cada música, o Superchunk transportava os presentes de volta aos anos 1990, década marcada pela força do rock alternativo, do grunge e do indie. O repertório também incluiu “Endless Summer“, “Hello Hawk“, “Everybody Dies” e “Stuck in a Dream“, passeando por diferentes fases da trajetória do grupo.

Quem conhece a sonoridade do Superchunk sabe que ela não se apoia em virtuosismo ou técnica excessiva. O diferencial sempre esteve na simplicidade e na entrega emocional de suas canções. Isso ficou evidente no palco, com a banda em perfeita sintonia. Destaque para Mac e Laura, que tocaram com intensidade impressionante, imprimindo energia máxima a cada faixa.
O quarteto manteve o ritmo do início ao fim, impulsionado por guitarras afiadas, refrões explosivos e uma conexão espontânea com a plateia. Era impossível não se deixar contagiar pelo entusiasmo que partia do palco e retornava em forma de gritos, palmas e vozes acompanhando cada verso.
Outro aspecto que chamou atenção foi a naturalidade com que o grupo transitou entre diferentes fases da carreira. Em vez de apostar exclusivamente no fator nostálgico, o Superchunk apresentou um repertório equilibrado, mostrando que sua produção mais recente dialoga de forma orgânica com os clássicos que ajudaram a consolidar sua reputação. O resultado foi um show que agradou tanto aos fãs de longa data quanto àqueles que tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo pela primeira vez, como eu.
Um dos momentos mais celebrados aconteceu durante “Driveway to Driveway“. O público cantou em uníssono o riff inicial junto com a guitarra de Mac, transformando o Cine Joia em um grande coro formado por fãs de diferentes gerações reunidos em torno de músicas que atravessaram décadas sem perder a força.

A acústica intimista do Cine Joia contribuiu para aproximar ainda mais banda e plateia. Diferentemente dos grandes festivais, onde muitas vezes a experiência é compartilhada com milhares de pessoas dispersas pelo espaço, a apresentação teve clima de proximidade. Cada interação vinda do palco era recebida com entusiasmo imediato, reforçando a sensação de que aquele era um encontro construído sobre admiração mútua.
A reta final reservou ainda mais emoção. No bis, a banda apresentou “Mower“, “Cast Iron“, “Learned to Surf” e os clássicos “Precision Auto” e “Hyper Enough“. Mais do que revisitar um repertório consagrado, o Superchunk entregou uma apresentação que reafirmou a relevância de sua obra no presente. Quando as luzes se acenderam, ficou a sensação de que a longa espera não apenas valeu a pena, mas tornou o reencontro ainda mais especial.
(*) Crédito das fotos: Matheus Machado (@matheusp)/Musicult



