
Créditos: Leandro Godoi @leandro_godoi/Reprodução Instagram Audio e Live Nation)
Poucos grupos conseguem atravessar décadas mantendo relevância, identidade e energia ao vivo. No hip hop, então, isso é ainda mais raro. Desde o início dos anos 1990, o Cypress Hill construiu uma carreira que mistura rap, rock, cultura latina e a estética underground de Los Angeles, criando um estilo próprio que influenciou gerações. E foi exatamente essa mistura que subiu ao palco da Audio Club, em São Paulo, para um show solo intenso, barulhento e com clima de celebração, realizado pela Live Nation, no dia 22 de março, um dia depois da apresentação do grupo no Lollapalooza.
A noite na Audio Club teve cara de encontro de tribos. Tinha gente que acompanha o grupo desde os anos 90, tinha fãs mais novos que conheceram a banda por playlists e festivais, tinha público do rap, do rock, do hardcore e do reggae. Quando as luzes apagaram e DJ Lord começou a intro, a pista já estava cheia e a expectativa era alta.
Assim que B-Real e Sen Dog entraram no palco, ficou claro que seria um show sem respiro. A presença de Eric Bobo na bateria e percussão deixou tudo mais pesado e orgânico, dando uma cara quase de banda de rock para várias músicas. O som era alto, grave, e a pista rapidamente virou uma mistura de roda, bate cabeça e gente pulando sem parar.
Ao longo do show, B-Real e Sen Dog falaram várias vezes sobre como era bom estar de volta ao Brasil. O público respondia sempre muito alto, mostrando que a relação da banda com o país continua forte. Em alguns momentos, eles também comentaram sobre o próximo disco, Dios Te Bendiga, que será lançado em maio e será totalmente em espanhol, um projeto que reforça a conexão do Cypress Hill com suas raízes latinas e que parece animar bastante a dupla.
Repertório trouxe grandes clássicos
O setlist foi praticamente uma coleção de clássicos e músicas queridas pelos fãs. Em vários momentos, parecia que cada música era a mais esperada da noite. How I Could Just Kill a Man transformou a pista em um coro gigante, com todo mundo cantando junto do começo ao fim. Em I Ain’t Goin’ Out Like That, a roda abriu e o clima ficou mais pesado, com empurra empurra e muita gente pulando. Dr. Greenthumb também foi um dos pontos altos, com aquele groove clássico que fez a casa inteira balançar a cabeça no mesmo ritmo.
Mas um dos momentos mais marcantes da noite foi I Wanna Get High. Assim que a música começou, vários baseados gigantes começaram a acender pela pista. Era quase um ritual coletivo. B-Real puxava o refrão, o público cantava junto e a fumaça subia enquanto a música rolava. Era uma cena que parecia saída diretamente dos anos 90, mostrando como algumas tradições de show do Cypress Hill continuam exatamente iguais.
Tequila Sunrise trouxe um clima mais grooveado e latino, enquanto Latin Thugs e Lowrider reforçaram essa identidade da banda, que mistura hip hop com influências latinas e rock de forma muito natural. Já músicas como Throw Your Set in the Air, Hits From the Bong e When the Shit Goes Down mantiveram a energia sempre alta, sem deixar o show cair em nenhum momento.
De repente, um silêncio, e logo veio a frase “Who you trying to get crazy with ése? Don’t you know I’m loco?” e Insane in the Brain, um dos clássicos da banda, começou a tocar. A reação foi imediata. Provavelmente foi o momento mais barulhento da noite, com a Audio Club inteira cantando o refrão, com aquela sensação de que todo mundo ali sabia que estava diante de um clássico absoluto.
Na reta final, (Rock) Superstar praticamente explodiu a casa. O refrão foi cantado por todo mundo, com braços levantados e muita gente pulando. Foi um daqueles momentos de show em que banda e público parecem estar na mesma energia, como se fosse uma grande celebração coletiva.
O show ainda teve espaço para surpresas, como o cover de Bombtrack, do Rage Against the Machine, que deixou o clima ainda mais pesado e mostrou mais uma vez a conexão do Cypress Hill com o rock e o metal, algo que sempre fez parte da identidade do grupo.
O encerramento veio com clima de festa. No encore, a banda puxou Jump Around, clássico do House of Pain. Antes da batida voltar, B-Real e Sen Dog pediram para todo mundo se abaixar. A pista inteira agachada, esperando o momento certo. Quando a música voltou, veio o comando para pular, e a Audio Club virou um mar de gente saltando sem parar. Foi um final caótico, divertido e perfeito para fechar a noite.



