
Foto: divulgação/Paris Filmes
O remake de O Beijo da Mulher-Aranha (2025), dirigido por Bill Condon, estreou hoje, dia 15, nos cinemas de todo o Brasil.
O filme, ambientado nos anos 80, conta a história de Valentín (Diego Luna), um preso político da ditadura argentina que divide cela com Molina, um ex-decorador de vitrines detido por conta da sua homossexualidade. Enquanto convivem na prisão, Molina decide narrar para o seu companheiro a história do seu musical favorito, um drama espetacular protagonizado por sua atriz predileta, Ingrid Luna (Jennifer Lopez).
Assim, um forte vínculo se forma entre os dois, enquanto Molina tenta escapar da realidade brutal usando a sua imaginação.
O Beijo da Mulher Aranha (2025): crítica sem spoilers
A história de O Beijo da Mulher Aranha é uma adaptação do livro homônimo do escritor argentino Manuel Puig. Além da nova versão de 2025, a história conta com uma versão para o cinema de 1985 e uma versão aclamada na Broadway de 1993, que recebeu prêmios como um Tony Awards de Melhor Musical.
É uma história sobre ditadura, mas de forma alguma contada de forma tradicional. A fantasia é pano de fundo para a narrativa política, atuando como sua extensão. O estilo de narrativa inovador adotado é rico, trazendo fluidez e originalidade à história.
Em meio à sua dualidade, o filme debate pautas como família, amor, sonhos, frustrações e experiências de vida. Nem por isso, deixa de mostrar os horrores vividos durante a ditadura argentina, mostrando de perto as injustiças e dificuldades enfrentadas, como violência, chantagem, medo, luto…
O filme flui bem em sua dualidade, ao contrastar o drama ambientado na prisão e a fantasia musical. Os tons frios de cinza, azul e preto da prisão são contrapostos às cores vibrantes da peça. A dureza do mundo real é contraposta ao épico drama colorido e exagerado. Ao mesmo tempo, a trama do musical inclui elementos do dia-a-dia de Molina e Valentín.
Assim, as realidades são paralelas, mas conectam-se em diversos momentos. As cenas do musical contribuem para que os protagonistas expressem seus diferentes pontos de vista e consigam sobreviver ao duro regime observado, escapando da realidade para o sonho. O ritmo dinâmico de alternância entre as tramas renova o interesse do espectador.
O maior destaque do filme é, sem dúvida, a atuação de Tonatiuh e Diego Luna. Os protagonistas são bem-desenvolvidos e geram empatia no público conforme sua relação evolui. A relação estabelecida entre Valentín e Molina é desenvolvida gradualmente e com profundidade, à medida que o tempo de convivência aumenta. Os atores têm uma química envolvente, algo que o filme explora de uma forma sensível e emocionante. As dificuldades da prisão dão lugar a um relacionamento único.
O filme deixa a sensação de que gradualmente os conhecemos melhor, o que nos permite facilmente entender suas questões e motivações. Nos identificamos com as personagens, suas dores e seus dilemas, sobretudo o sonhador e carismático Molina, que, apesar dos seus aparentes “delírios”, tem plena consciência do que acontece ao seu redor.
Jennifer Lopez interpreta Ingrid Luna, papel vivido por Sonia Braga na versão de 1985. Embora sua performance não seja equiparável às de Luna e Tonatiuh, se encaixa bem no propósito da trama do filme e se desdobra na interpretação de duas personagens com personalidades completamente distintas. A atriz traz com maestria a dança e a sua potência vocal, além do ar de diva, características necessárias aos seus dois papéis, Ingrid Luna e Mulher-Aranha.
As cenas musicais são intrínsecas à trama central, que brilha como um destaque central do filme. O mundo de Molina e Valentín, interpretados de forma brilhante por Tonatiuh e Diego Luna, tem sempre uma abertura para o delírio onírico do musical, que a todo tempo influencia os dois universos do longa.
A nova adaptação faz jus ao legado da obra anterior, mostrando porque a história contada segue tão relevante ainda atualmente. Assim, sem dúvida, vale assisti-la nos cinemas.
Confira o trailer abaixo:



