
O ator Timothée Chalamet demonstra há muito tempo que está obstinado a vencer um Oscar, o que combina muito com seu personagem, Marty Mauser, do filme Marty Supreme, que estreia no dia 22 de janeiro nos cinemas brasileiros.
Nos anos 50, Marty Mauser (livremente inspirado em Marty Reisman) vendedor de sapato e jovem prodígio, acredita estar predestinado a se tornar o maior jogador americano de tênis de mesa, mas isso pode se transformar em uma odisseia rumo ao sucesso, com perseguições, amantes, cachorro perdido, tiros, roubos e muita prepotência do protagonista.
Na verdade, a prepotência e o narcisismo são algo que rege o personagem: ele acredita que é o melhor de sua categoria e vai passar por cima do que for preciso para alcançar seu grande sonho. O que vem a seguir é uma sucessão de acontecimentos frenéticos no estilo Fargo: Uma Comédia de Erros.
Com direção de Josh Safdie, Marty Supreme traz todo o dinamismo, o caos urbano e o humor afiado presentes nos filmes que ele fez com seu irmão Benny, como Joias Brutas (2019) e Bom Comportamento (2017). É um retrato estético de uma Nova York turbulenta, com correria de um lado para o outro, e aí você pode pensar: “ué, mas o filme não era sobre um jogador de tênis de mesa?”. Esse é justamente o fator que torna o longa tão único.
O que poderia ser uma cinebiografia manjada e cansativa acaba se tornando um filme do qual você não consegue desgrudar da tela nem por um minuto.
E isso se deve muito à atuação magnética de Chalamet, principal concorrente do brasileiro Wagner Moura. Presente em quase todas as cenas, ele tem a oportunidade perfeita para brilhar com um personagem anti-herói, de atitudes questionáveis, sarcástico e extremamente carismático, um papel que todo ator sonha receber e que provavelmente lhe renderá seu primeiro Oscar.
Para quem está se perguntando sobre Tyler, The Creator, ele está muito em seu primeiro papel nos cinemas, como o amigo e fiel escudeiro de Marty, assim como as coadjuvantes Odeza A’zion e Gwyneth Paltrow, que interpretam os interesses amorosos do protagonista.
Big Dream, Marty Supreme

Com o slogan “sonhe alto” e uma trilha sonora motivacional encabeçada por hits dos anos 80, Marty Supreme ainda tem como bônus, por ser um filme esportivo, as cenas focadas nos treinos e competições de tênis de mesa, que são eletrizantes, especialmente o embate entre Marty e o competidor japonês Koto Endo.
Ainda assim, esse é um lado do filme que poderia ser mais explorado em suas 2h30 de duração. A cena final ao som de “Everybody Wants to Rule the World” deixa uma mensagem agridoce: até onde estamos dispostos a ir para realizar nossos sonhos?
Marty Mause mostra que ambição e falta de escrúpulos podem te levar longe, mas o destino sempre cobra. Ainda assim, é fascinante acompanhar a sua jornada febril e cheia de riscos.



