
Manny Moura. Foto: Gabriela Borges
O disco de estreia da carioca manny moura, “a crush is a creative act” é uma obra marcada pela sua vulnerabilidade ao trazer uma história de um amor que ficou só na fantasia… mas que virou arte! Ela explica:
“Quando ouvi o disco pronto, comecei a pensar sobre isso… como a fantasia é tipo um escape. É um lugar que eu sempre me senti muito mais criativa quando estou nele e sentindo coisas por alguém que, na verdade, é só uma projeção, então pensei nessa frase ‘a crush is a creative act’ porque tudo fez muito sentido.”
E o trabalho já era internacional antes mesmo de seu lançamento… isso porque manny, que mora em Los Angeles, nos Estados Unidos, elaborou o disco com dois produtores: Fernando Tavares, de Salvador, e Nathan Dies, de São Paulo, mas que atualmente está em Nova York, cidade onde os três se encontraram pessoalmente.
“Sou muito do pop, então gosto de misturar as referências mais alternativas e das culturas das cidades. Sou uma mistura, porque eu nasci no Rio, mas me mudei para Nova York com sete anos, aí voltei para o Brasil com 13, fui para Boston com 19 e agora estou em Los Angeles, então… passei metade da minha vida no Brasil e outra metade aqui nos Estados Unidos. Sou uma confusão de referências e de culturas e espero que dê para escutar isso, um mundo novo, que é meio brasileiro e meio estadunidense.”

Com referências sonoras como Olivia Rodrigo e Taylor Swift, manny conta que enxerga verdade no modo como as cantoras pop escrevem suas letras e assume que tenta trazer um pouco disso para as suas canções.
“Dá para sentir que elas levam muito a sério e eu também levo muito a sério, então, aprecio muito. E também sobre escutar a música delas e conseguir me entender sabe? Espero conseguir trazer isso para minha música… que as pessoas escutem e consigam se entender um pouco mais.”
Confira abaixo a entrevista que manny cedeu ao Musicult e descubra mais detalhes sobre o seu primeiro álbum
manny, esse é o seu álbum de estreia. O que significa lançar “a crush is a creative act” depois de três anos de criação?
manny moura: É uma conquista e também é um alívio depois de trabalhar tanto tempo numa coisa… Quando eu comecei a escrever essas músicas, não tava pensando “vou fazer um disco”, eu só tava escrevendo as músicas eventualmente e foi só no finalzinho de 2023 que decidi que finalmente gravar meu primeiro disco. Na época, já tinha lançado um EP e alguns singles, mas eu amo álbuns, então sempre quis fazer isso. Fiquei muito feliz que tudo deu certo e que finalmente foi lançado.
Você nasceu no Rio de Janeiro, mora em Los Angeles, e fez gravações por aí em L.A, em Nova York e também em Salvador. Como essa experiência entre cidades influenciou na sonoridade e o espírito do disco?
manny: Na verdade, eu não fui para Salvador, mas o Fernando Tavares, um dos produtores do álbum, é de lá e ele estava morando na cidade enquanto estávamos produzindo o disco à distância. O outro, que é o Nathan Dies, é de São Paulo e mora em Nova York. Eu sou do Rio e moro em Los Angeles. Tem muita referência dos três ali e das músicas que crescemos ouvindo. Sou muito do pop, então gosto de misturar as referências mais alternativas e das culturas das cidades. Sou uma mistura, porque eu nasci no Rio, mas me mudei para Nova York com sete anos, aí voltei para o Brasil com 13, fui para Boston com 19 e agora estou em Los Angeles, então… passei metade da minha vida no Brasil e outra metade aqui nos Estados Unidos. Sou uma confusão de referências e de culturas e espero que dê para escutar isso, um mundo novo, que é meio brasileiro e meio estadunidense.
O álbum começa da ideia de que fantasiar um romance é um ato criativo. De onde veio essa sua reflexão?
manny: A ideia veio porque eu estava entendendo qual seria a história do meu disco e era muito sobre uma paixão que nunca aconteceu, que foi muito dentro da minha cabeça. Quando ouvi o disco pronto, comecei a pensar sobre isso… como a fantasia é tipo um escape. É um lugar que eu sempre me senti muito mais criativa quando estou nele e sentindo coisas por alguém que, na verdade, é só uma projeção, então pensei nessa frase “a crush is a creative act” porque tudo fez muito sentido.
A fantasia, como você diz, é “um lugar mais seguro do que a realidade”. Você sente que esse álbum foi um modo de permanecer nesse espaço seguro ou, na verdade, foi a sua forma de tentar confrontar isso?
manny: Um pouco dos dois, porque, no começo, era muito sobre essa fantasia como escape, mas também entendendo a minha desilusão e chegando a uma conclusão no final que é mais real e que quebra essa fantasia um pouco.
Sobre as letras, você definiu que, no álbum, isso foi como um processo “autoanalítico e confessional”. Como a música te ajuda a expor pro mundo, em forma de arte, o que está guardado aí dentro?
manny: A música no geral tem esse papel na minha vida. Ela é tudo e não sei o que seria sem ela. É o meu jeito de processar… não sei fazer outra coisa, sabe? Então, essas músicas, por exemplo, escrevi porque precisava processar e não porque eu estava querendo escrever um álbum. Eu sempre escrevi como uma forma de me entender, então, minhas músicas preferidas são as mais honestas e as mais vulneráveis e eu queria trazer isso para o meu álbum. Dá um medo… é muito vulnerável, é íntimo. Mas é o que procuro escutar, então eu não poderia fazer diferente.
Em suas referências para o disco, você traz nomes como Olívia Rodrigo e Taylor Swift, que, apesar de ambas estarem em alta atualmente, podemos dizer que são de gerações diferentes (a Taylor começou lá em 2006, quando a Olívia só tinha três anos…). O que você vê em comum nas duas e como elas te influenciaram para o seu álbum?
manny: O que me inspira nelas é a vulnerabilidade e também o amor que elas têm pelo ato de escrever música. Dá para sentir que elas levam muito a sério e eu também levo muito a sério, então, aprecio muito. E também sobre escutar a música delas e conseguir me entender sabe? Espero conseguir trazer isso para minha música… que as pessoas escutem e consigam se entender um pouco mais.
A ordem das músicas no disco é curioso, porque ele “começa pelo final” da história que o cerca. Queria que você explicasse como funciona essa narrativa…
manny: Decidi começar pelo final da história porque é uma reflexão de mais distância dessa desilusão e falando como eu sinto essa coisa no geral. Mas eu sou muito apegada à coisa cronológica… no meu outro EP as músicas eram cronológicas, por exemplo. O disco começa com essa conclusão geral, mas depois sincroniza com o resto da história e vai seguindo até o que é de fato o final.
O álbum tem uma certa mescla de gêneros, né? Você fez o rascunho das faixas no violão, o que traz esse som mais folk, mas, ao mesmo tempo, a canção de trabalho do disco [“I Think You Think Me”] é bem mais pop – até pelas referências que a gente comentou durante a conversa mesmo. Como você fez para equilibrar essa coisa mais “doce” do violão com o eletrônico do pop?
manny: Eu escrevi sozinha as letras, as melodias e os acordes, aí levei para o estúdio para os meus amigos e a gente conversava todo dia para pensar para onde iríamos levar aquela música, se ela iria para um lugar mais pop ou se ficaria mais íntimo só no violão. Fomos construindo assim. Então, meio que a música já entregava por si só e a gente dava o que cada uma pedia. Foi um processo muito legal.
É curioso pensar que seu disco de estreia, de certa forma, já é uma baita exposição por trazer temas pessoais, né… o que você tá pensando para a sua carreira a partir disso? Gostou dessa “terapia” musical?
manny: Confio que a vida acontece e os conceitos vão vir dependendo do que eu estou no momento, sabe? Sempre vou escrever sobre meus sentimentos e sobre minhas experiências e também me vejo falando “ok, vou compor um álbum” e parando para escrever… porém, agora, só quero ver o que vai acontecer.
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