
Se você acompanha cinema em geral ou apenas o cinema de horror, sabe que a produção de filmes desse gênero tem aumentado a cada ano, o que gera remakes, adaptações e obras que parecem apenas repetir velhas fórmulas. Então, quando vemos um filme de terror inovar na forma de contar uma história, é normal que seja muito comentado. Ainda mais se ele tiver como protagonista um cachorro fofo e ótimo ator, como é o caso de Bom Menino, produção que estreia no Brasil dia 30 de outubro e que já é considerado por alguns um dos melhores filmes de terror do ano.
Bom Menino conta a história de Indy e seu dono, Todd, que está doente e decide descansar na casa de campo de seu falecido avô, que, inclusive, deixou a casa de herança para Todd, uma casa que já é envolta por histórias bizarras desde quando seu avô era vivo, o que percebemos em diálogos entre Todd e sua irmã e em trechos de fitas VHS que o vô de Todd deixou gravadas e guardadas na casa.
Longe de tudo e em uma casa com poucos recursos, Indy começa a sentir forças malignas e a ver coisas que Todd não consegue enxergar, mas que, aos poucos, vão transformar o que era pra ser um momento de descanso em algo sombrio.
Além de trabalhar uma nova perspectiva em filmes de assombração – a de um cachorro -, Bom Menino consegue chamar a atenção por tratar da mística que envolve a sensibilidade e a espiritualidade dos animais (é comum ouvirmos histórias de que nossos pets podem ver coisas que não vemos, sentir quando estamos em perigo etc.) e, claro, por conta da atuação excelente de Indy.
Indy não só se movimenta bem em cenas sem cortes, transitando pela casa exatamente como faria se estivesse vendo alguma coisa em determinado ponto do ambiente, mas também e super expressivo. Conseguimos entender claramente seus sentimentos só pelo seu olhar, às vezes assustado, nervoso ou relaxado.
E quando sabemos que o filme levou 3 anos para ficar pronto, por conta da produção independente e incansável do diretor, roteirista, adestrador e dono do Indy, Ben Leonberg, ficamos ainda mais fascinados pela trama, já que qualquer pessoa que tenha cachorro sabe o quanto é difícil treiná-los e, mais ainda, fazer com que eles interajam com uma câmera (eu poderia, inclusive, encher esse post de tentativas de fotos da minha cachorra, que assim como a maioria dos cães, sempre vira o rosto quando vê um celular na frente dela, mas não vou fugir do foco).

Em resumo, a produção de Bom Menino foi um trabalho de alguém não só apaixonado pelo seu próprio projeto, mas principalmente por fazer cinema.
Porém, dói admitir que a boa ideia poderia ter sido melhor executada e que, no fim, o que capta a nossa atenção total durante a duração de 1h13 que Bom Menino tem é, de fato, a atuação e fofura de Indy. E sim, por mais que o filme seja curto, com menos de 1h30, as situações pelas quais o cãozinho passa na casa assombrada com seu dono vão se tornando repetitivas e, particularmente, não acho que seja só porque o roteiro não tinha muito mais o que explorar – já que Indy não fala -, e sim por uma escolha do roteirista de deixar tudo muito subjetivo, deixando de explorar melhor a história da casa por meio dos poucos diálogos e monólogos dos humanos do filme.
Se fosse um curta-metragem, Bom Menino, provavelmente seria um filme 10/10, mas por ser um longa que, em menos de 1h30 consegue cansar o espectador, acaba sendo um filme nota 8, e boa parte dessa pontuação é porque um cachorro pode sempre salvar uma ideia, um ser-humano e um filme. Agora podem dar o Oscar de melhor ator ao Indy.



