
O encontro entre o trip hop britânico e o metal brasileiro vai acontecer em São Paulo. No dia 13 de novembro, o Espaço Unimed recebe um dos shows mais esperados do ano: o Massive Attack, lenda britânica da música eletrônica, sobe ao palco para uma apresentação única, que terá Cavalera Conspiracy – projeto dos irmãos Max e Iggor Cavalera, fundadores do Sepultura – como atração de abertura.
Mais do que uma simples turnê, o show faz parte da iniciativa “A Resposta Somos Nós”, criada pelo Massive Attack para chamar atenção às crises climáticas e dar voz aos povos indígenas da Amazônia. O projeto busca unir arte, música e ativismo, em uma experiência audiovisual intensa – marca registrada do grupo, que costuma usar projeções, mensagens políticas e visual impactante em suas apresentações.
No palco, o duo formado por Robert “3D” Del Naja e Grant “Daddy G” Marshall deve revisitar clássicos que marcaram gerações, como Teardrop, Angel e Safe From Harm. Com uma sonoridade que mistura hip hop, dub, soul e atmosferas densas, o Massive Attack ajudou a moldar o trip hop nos anos 1990, ao lado de outros nomes de Bristol, como Portishead e Tricky.
As origens do Massive Attack
O Massive Attack nasceu no fim dos anos 1980, na efervescente cena musical de Bristol, cidade inglesa conhecida por seu caldeirão multicultural. O grupo foi formado por Grant “Daddy G” Marshall, Andrew “Mushroom” Vowles, Adrian “Tricky” Thaws e Robert “3D” Del Naja, todos integrantes do coletivo The Wild Bunch, que dominava os sound systems locais misturando reggae, hip hop e funk.
Em 1991, o quarteto lançou Blue Lines, álbum de estreia que redefiniu a música eletrônica britânica. Com faixas como Unfinished Sympathy e Safe From Harm, o disco trouxe um clima urbano e melancólico que se tornaria marca do grupo. Já em 1994, Protection aprofundou essa atmosfera, com vocais de Tracey Thorn (Everything But The Girl) e colaborações refinadas que consolidaram o grupo como referência mundial.
Mas foi em 1998, com Mezzanine, que o Massive Attack atingiu o auge. O álbum trouxe uma sonoridade mais sombria e industrial, guiada pela faixa Teardrop — eternizada na voz de Elizabeth Fraser (Cocteau Twins). O disco é considerado um dos maiores marcos da música dos anos 1990, tanto pela produção quanto pelo impacto cultural.
Depois vieram 100th Window (2003), mais eletrônico e introspectivo, e Heligoland (2010), que contou com participações de Damon Albarn, Hope Sandoval e Tunde Adebimpe. Desde então, o Massive Attack segue explorando temas sociais e experimentando formatos audiovisuais e colaborativos, sempre com um pé na militância e outro na arte.
Cavalera abre a noite com um clássico do metal brasileiro
Antes do clima etéreo do Massive Attack, o público vai sentir o chão tremer com o Cavalera Conspiracy, projeto em que Max e Iggor resgatam suas origens. O setlist promete ser uma viagem direta para 1993, quando o Sepultura lançou Chaos A.D., um dos álbuns mais importantes da história do metal mundial.
Gravado no País de Gales e produzido por Andy Wallace (o mesmo de Nevermind, do Nirvana), Chaos A.D. trouxe um som mais grooveado, tribal e politizado — um divisor de águas que colocou o metal brasileiro no mapa global. Faixas como Refuse/Resist, Territory e Slave New World devem aparecer no repertório, executadas com a energia crua que fez dos irmãos mineiros ícones do gênero.
Com o Cavalera, Max e Iggor têm revisitado álbuns históricos do Sepultura em turnês mundiais, celebrando o legado da banda e apresentando esse som a uma nova geração de fãs do metal.
Uma noite de contrastes e convergências
A união de Massive Attack e Cavalera Conspiracy pode parecer improvável, mas faz todo sentido dentro do conceito de resistência e engajamento que atravessa o evento. De um lado, o experimentalismo eletrônico e o ativismo ambiental dos britânicos; do outro, o peso político e tribal do metal brasileiro. Ambos usam a música como instrumento de contestação e identidade.
Além disso, o evento também reforça o compromisso do Massive Attack com a sustentabilidade – o grupo é um dos mais engajados na busca por turnês de baixo impacto ambiental, desenvolvendo junto a universidades britânicas formas de reduzir a pegada de carbono na indústria musical.
Ingressos
Os ingressos para o show no dia 13 de novembro estão disponíveis pelo site Eventim e na bilheteria oficial do Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda, São Paulo), onde o show acontecerá.
A casa abre às 19h, e a classificação etária é livre para maiores de 16 anos (menores acompanhados dos responsáveis).
Uma noite que promete ser histórica, e barulhenta, com duas forças criativas de universos distintos, unidas por um mesmo propósito: transformar som em atitude.



