
Bahsi (Foto por Vitória Trigo)
O Bahsi já apareceu aqui pelo Musicult quando lançou Magu’s Party (2022) e Hey, Polar! (2024) e não poderia não aparecer agora, com o lançamento de castle. Isso porque esta que vos fala ficou bem fã das músicas dele desde o Locomotiva Festival 2022 (festival que faz muita falta, diga-se de passagem).
A proposta dos dois primeiros álbuns, que grudou minha atenção, era simples: um rock alternativo meio grunge, meio indie anos 2000 com letras bem identificáveis sobre a vida adulta, amores não correspondidos e até saudade da mtv, e o resultado sempre me lembrou músicas de trilhas sonoras de comédias românticas (e pra comprovar que eu não estava fazendo uma associação maluca, deixo aqui um lyric video publicado pelo próprio Bahsi com cenas de 500 Dias com Ela. Assista e me diga se essa não era a música perfeita pra trilha do filme!).
…mas castle não é um disco de rock
Já castle me pegou de surpresa. Não só por não ter sido “anunciado” com singles prévios, mas também por fugir totalmente do que foi feito nos anteriores. Aqui, o músico deixou de lado as guitarras e abraçou diferentes estilos, experimentações e instrumentos diversos em um álbum que vai do folk ao indie pop. E sobre o caminho até esse álbum, Bahsi me contou:
“Este ano eu tenho consumido sons (Alex G, Neutral Milk Hotel, Beulah, Beatles, Dan English, Thomas Flynn, Wilco) que têm essas características do indie alternativo, indie folk, gravações que transparecem genuinidade e também sons que exploram variedades de instrumentos nos arranjos. Com isso me senti inspirado a compor e explorar minha curiosidade, e a intenção era mais exercitar do que se preocupar com o produto final. Quando vi que eu estava com uma boa quantidade de sons, pensei em juntá-los e lançá-los com algum alter-ego, ou então apenas deixar no SoundCloud e divulgar pra alguns amigos. Mas, depois, pensando bem, por que não no Bahsi, né? Quem curtir, muito bem, quem preferir as antigas, é só escutar as antigas, tá tudo certo. As faixas “keep up” e “castle”, eu já tinha há um tempo, mas as demais compus de maio deste ano pra cá, embalado nessa fase de experimentações.”
Por conta de ser o resultado de diversas experimentações de Bahsi em casa, que começaram sem a pretensão de virar um disco, castle veio, como disse, de repente, sem singles soltos antes do álbum. E sobre isso, ele completa:
“Sei que não é o caminho ideal, mas às vezes a gente só quer fazer umas musiquinhas e soltar pra galera ouvir, rs. Foi por isso que não quis me prolongar, nem ficar planejando posts e materiais. Só quis compartilhar o que tenho feito ultimamente.”
Mas apesar da vibe caseira do álbum, e boa parte foi realmente feita pelo próprio Bahsi, o disco teve participações especiais na produção:
“Contei com a ajuda do Pep (Pedro Spadoni, do City Mall) na produção de ‘noisy kid’ e ‘grim reaper’, nesta ultima ele participa cantando também. Pep é meu amigo e é um compositor-produtor qual admiro e confio muito, então sempre que estou com dúvida em algum som eu imediatamente mando para ele. Na bateria de alguns sons (‘panier de legumes’, ‘noisy kid’, ‘we should start a band’ e ‘castle’) contei com o Carlos Casagrande, que gravou na sua casa mesmo, apenas com dois mics de fita. E a faixa “paranoia” foi toda gravada no Estúdio Apache, aqui em Piracicaba. Cito (Celso Rocha) é produtor, uma lenda aqui da cidade, e não tínhamos trabalhado juntos desde que ele voltou de Londres, onde morou por uma década. Então ele produziu e fez a captação, além da mix e master desse som. Tarek Viana foi quem gravou o trompete, os demais instrumentos eu gravei. O resto do álbum foi gravado em casa, usando os instrumentos e plugins que tenho. Alguns sons de violino, cordas em geral e sopro, são efeitos do meu teclado mesmo. E, embora não seja minha área, fiz a mixagem e masterização do álbum. Tive muita curiosidade e interesse em fazer eu mesmo, para aprender e desenvolver essa habilidade que acho tão fundamental quanto o processo que vem antes.”
Sobre a diferença de sonoridade entre os discos anteriores e castle, Bahsi disse que não quis se repetir e que talvez a idade tenha batido:
“A diferença entre Hey, Polar! e castle acho que se dá por variados motivos: como meus dois primeiros álbuns foram calcados quase que exclusivamente entre guitarra, baixo e bateria, eu já sabia que no próximo eu não iria repetir isso. Um fator também que me levou a fazer um som menos guitarrístico foi me entender como ouvinte de música. No palco, eu prefiro música pesada, enérgica, bpm lá em cima, mas como ouvinte, prefiro sons mais limpos. Percebi esse conflito enquanto mixávamos o Hey, Polar!. Nas músicas pesadas eu achava tudo muito perturbador, ficava tentando eliminar frequências, quando, na verdade, tava tudo certo, eu é que estava incomodado com pratos de bateria etc. Estou oficialmente velho! rs.”
E entre as músicas de um álbum quase inteiro de folk, há “jazz cocaine club”, que foge totalmente do roteiro e traz batidas eletrônicas de drum’n bass. Sobre essa faixa com um nome tão peculiar, Bahsi contou:
Eu acho que é bom dar um susto no ouvinte de vez em quando, rs. Aprendi isso com Alex G, pois sempre tem uma faixa que soa desconexa nos álbuns dele. Quando eu fiz esse som, estava brincando com alguns acordes de jazz, e acabou virando drum and bass para dar uma psicodelia. O nome é uma “homenagem” a pessoas da alta sociedade que gostam de um jazz sofisticado e outras coisas mais…

A capa de castle também é algo a se comentar, e é a única coisa em comum com o antecessor, Hey, Polar!
Eu quis seguir a linha do anterior e fazer a capa em desenho. Pra isso, contei com a Poliana Urquidi, que desenvolveu e pintou em técnica mista, com base de aquarela e toques de lápis de cor e guache. A ideia do desenho foi refletir o que é o album, com a diversidade de legumes representando as diferentes sonoridades e tocando instrumentos representativos para o disco, como violino, banjo, trompete, etc.
E pra entender como a mistura desses instrumentos soa em castle, escute o disco na sua plataforma favorita. Ah, e siga Bahsi nas redes sociais do artista.



