
Bike (Créditos: Rodrigo @fullcrall)
O quarteto paulista BIKE, um dos principais nomes da nova psicodelia brasileira, lançou na útima sexta-feira o disco Noise Meditations que é um verdadeiro convite à imersão sonora.
O álbum nasceu de longas sessões de improviso no estúdio Wasabi, em São José dos Campos, cidade natal do grupo. Sem roteiro ou pressa, Júlio Cavalcante, Diego Xavier, Daniel Fumega e Gil Mosolino criaram camadas de baixo, bateria, guitarras, sintetizadores e percussões que conduzem o ouvinte da Bike a um estado de transe hipnótico em Noise Meditations.
Disponível em todas as plataformas e com vinil em pré-venda, o disco foi lançado com um show no mesmo dia (12/09) na Casa Rockambole, em São Paulo, e veio acompanhado do anúncio de uma turnê no Reino Unido.
Quanto à produção, a própria banda é quem assina, contando que gravou todo o material em um único dia no estúdio El Rocha.
Noise Meditations: um convite a meditar no caos

O conceito do álbum está no próprio título: a ideia, segundo o vocalista e guitarrista Júlio Cavalcante, era criar uma sonoridade guiada por ruídos, drones e batidas repetitivas, que funcionassem como música para “meditar no caos”. Letras curtas, quase como mantras, se unem a influências que vão da música indiana ao krautrock, passando por jazz e até Sonic Youth.
Cada faixa é uma experiência distinta. “Todos os Olhos” traz a visão apocalíptica de uma floresta em chamas; “Sucuri”, que apareceu em uma das nossas listas de melhores do mês, celebra a lenda Kaxinawá em uma viagem mística; “Velada” mostra o peso mais intenso da Bike, enquanto a faixa-título sintetiza a proposta jazzística e contemplativa do trabalho. Outras canções, como “Bico de Ouro” e “Essência Real”, reforçam a liberdade criativa e a sensação de jornada que o disco oferece.
Em resumo, Noise Meditations não é apenas um álbum, mas uma experiência sensorial que transporta o ouvinte para um universo de improviso, ritmo e reflexão. Ao apostar em texturas ousadas e no espírito livre da música independente, a BIKE reafirma seu lugar como um dos nomes mais inventivos e consistentes da cena psicodélica nacional, provando que é possível meditar em meio ao barulho do mundo.
Confira um faixa a faixa feito por Julio Cavalcante:
- 1 – Todos os Olhos: é psicodelia apocalíptica. A letra é o ponto de vista da floresta pegando fogo, quando todos ficam de olho, mas a maioria não faz nada, enquanto os olhos imundos do mundo querem apenas o lucro que a floresta pode dar.
- 2 – V.D.C: A letra veio durante uma expedição que fizemos com amigos. A partir de um certo momento a música que tocava me fez querer dançar como num ritual. Quando o disco que tocava acabou me senti muito leve e anotei as frases que vieram num papel. Na criação do som a música surgiu em cima de um ritmo do meu pedal de guitarra, e o loop que criamos me deu a mesma sensação da expedição. Foi só juntar as coisas nesse quebra-cabeça.
- 3 – NEU!A: Fiz essa letra na nossa última turnê pela Europa. É como se fosse uma letra irmã da Divina Máquina Voadora presente no nosso segundo disco. São imagens do que vimos e vivemos por lá. Se Divina homenageia Ronnie Von no título, aqui quem leva a homenagem é uma das nossas bandas alemãs preferidas, que influenciou muito esse disco e foi trilha sonora de toda essa turnê.
- 4 – Sucuri: Tem forte influência de Pedro Santos e do disco Krishnanda, que é um dos favoritos da banda. A letra veio para celebrar a Sucuri da lenda “Yube e a Sucuri”, da cultura Kaxinawá, em que um homem se apaixona por uma mulher sucuri e, para continuar com ela. também se transforma em sucuri e passa a viver no mundo profundo das águas, onde descobre uma bebida alucinógena que dá poderes de cura e acesso ao conhecimento.
- 5 – Bico de Ouro: A música nasceu de uma combinação do slicer de uma guitarra com o drone da outra, e a partir daí foi criado o beat que jogou a música pra frente. A letra traz a ideia de liberdade, de não ficar preso a nada.
- 6 – Coral: Surgiu da ideia de ser uma transição do Lado A para o Lado B do vinil. Então depois de toda a explosão de Bico de Ouro chegamos em Coral, que começa com um riff simples de guitarra que vai se somando aos outros instrumentos. A letra traz a ideia de uma picada de cobra-coral, que se espalha rápido pelo corpo e te leva a outro plano, um renascimento em outro espaço.
- 7 – Noise Meditations: Essa letra também foi fruto da mesma expedição que fizemos. Ela é quase um resumo do disco e por isso acabou ganhando esse nome. Talvez a faixa mais jazzística do álbum, mas do nosso jeito. Acho que nunca tínhamos feito uma faixa assim.
- 8 – Bhang: Psicodelia apocalíptica guiada por tambores.
- 9 – Velada: O Noise Meditations saiu de uma sessão pesada de três dias de jams gravadas aqui no estúdio. Velada foi uma das músicas que nasceram no fim da sessão com o corpo já cansado, mas como o groove engrenou a gente gastou um tempo nesse loop, que era pesado e rítmico. Acho que é a faixa mais pesada do BIKE até então. Ela também me passa uma sensação muito forte de leveza ao terminar e sua letra também surgiu na expedição. É a faixa onde a afinação que uso na guitarra neste disco mostra mais a sua cara.
- 10 – Essência Real: Para encerrar o disco pensamos em Essência Real porque ela traz na letra o resumo do que é ter uma banda independente lançando discos e fazendo turnês. Na parte sonora tentamos trazer a sensação de estar voltando, aterrando e mostrando ao ouvinte que é o final do disco.
Ficha técnica
- Gravado por Fernando Sanches
- Mixado por Diego Xavier
- Masterizado por Cássio Zambotto
- Produzido por BIKE
- Música por Daniel Nogueira, Diego Xavier e Julio Cavalcante
- Letra por Diego Xavier e Julio Cavalcante
- Capa por Juli Ribeiro
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