
7seconds (Créditos: Raíssa Corrêa/@showww360)
O dia 10 de agosto de 2025 era aguardado com ansiedade pelos fãs de hardcore em São Paulo. Isso porque, após 10 anos, o 7Seconds, um dos maiores nomes do estilo, retornou à Cidade Cinza para um show histórico, que aconteceu no Fabrique Club, em uma festa promovida pela Powerline Music & Books e New Direction Productions.
O retorno da banda estadunidense ao Brasil contou também com as participações das brasileiras Freak Fur e O Inimigo. Nem o frio de 10 graus que fazia na capital paulista naquele domingo deteve os fãs, que aos poucos ocupavam os arredores do Fabrique Club, na Rua Barra Funda.
Pontualmente às 18h, o Freak Fur deu início aos trabalhos. Eu já havia assistido à banda em outras ocasiões, e desde a primeira vez a sonoridade crua do hardcore melódico e skatepunk dos anos 90 me prendeu bastante. Agora como um quinteto, a banda esquentou os motores com músicas como Clear Vision Society, Believer e Back From Hell, esta última com uma abordagem mais pesada e riffs que lembram bandas de crossover thrash.
O quinteto mostrou uma apresentação concisa, forte, com uma sonoridade bem definida, pesada e melódica, trazendo boas lembranças àqueles que cresceram andando de skate e ouvindo Pennywise e Ignite. Um som cru, sem firulas, e que me agradou bastante.
Logo depois, foi a vez dos veteranos d’O Inimigo subirem ao palco do Fabrique. A banda, formada por Juninho Sangiorgio (guitarra), Fernando Sanches (guitarra), Alexandre Cacciatore (baixo), Gian Coppola (bateria) e Wellington Marcelo (voz) – escalado em 2016 para substitir Alexandre “Kalota” Fanucchi – trouxe no setlist músicas como Preto e Branco, Tarde Demais, Veneno e O demônio em meu olhar, com sua sonoridade inspirada pelas bandas de Washington DC, como Fugazi e Dag Nasty.
Com mais de duas décadas de estrada, a banda segue se mostrando como um dos grandes nomes da cena punk/hardcore de São Paulo. Já estive em diversos shows do quinteto, mas este sem dúvida foi um dos melhores, marcado por uma sonoridade clara, pesada, e pela forte presença de palco dos integrantes. Com uma apresentação rápida, mas marcante, O Inimigo esquentava a casa, que agora já contava com um número bem maior de pessoas.
Jovens até a morte

Passados os shows de Freak Fur e O Inimigo, era o momento dos donos da noite subirem ao palco do Fabrique. Formada em 1980 em Reno (Nevada), o 7Seconds não perdeu tempo e começou o set com Here’s Your Warning, Definite Choice e New Wind. Durante a apresentação, Kevin Seconds, vocalista e líder da banda, fazia questão de demonstrar sua satisfação por estar de volta ao Brasil após 10 anos.
Sempre com um sorriso no rosto, o frontman interagia com o público do show, que cantava apaixonado cada estrofe do setlist do quarteto estadunidense. Conversa vai, conversa vem, vamos de som de novo. Dessa vez, com quatro clássicos, um atrás do outro: Regress No Way, We’re Gonna Fight (um dos maiores hits do grupo), Not Just Boys Fun, This Is The Angry e Satygraha, com direito a stage dive de crianças.
No show, Kevin lembrou que o baixista e seu irmão Steve Youth não pôde estar presente por problemas de saúde e dedicou o show a ele. Se lá fora estava frio, dentro do Fabrique reinava o calor de abraços, stage dives e moshpits durante todo o show do 7Seconds. E essa atmosfera se intensificou quando os primeiros acordes de Walk Together, Rock Together soaram.

Em seguida, foi a vez da banda tocar Change In My Head e a clássica Young ‘Til I Die, cantada a plenos pulmões pelo público. Uma verdadeira aula de punk e hardcore. Algumas músicas depois, veio uma música cativa do setlist do 7Seconds: 99 Red Balloons, versão em inglês de 99 Luftballons, da banda alemã Nena.
A banda desceu do palco e, por um momento, pensou-se que a apresentação do 7Seconds havia acabado ali. Mas que bom que estávamos enganados. Era hora do bis, iniciado com um You Lose, dedicada a Helen Vitai, punk assassinada em um triste episódio de violência em São Paulo. Por fim, o setlist foi encerrado com Trust e The Crew.
Em pouco mais de uma hora de show, o 7Seconds sintetizou quatro décadas de história, fazendo bater mais forte o coração de quem vive o hardcore. Uma verdadeira festa, uma aula de quem prometeu a si mesmo que seria jovem até morrer. Voltem sempre, mestres!



