
Guitarra distorcida, vozes ancestrais e um baixo que pulsa como alerta. “Não Mais Poços de Petróleo”: esses são alguns dos elementos que constroem a música-manifesto de Frejat, Xênia França e Thaline Karajá em um lançamento pelo Greenpeace Brasil que, como o refrão e o nome da música deixam claros, é um protesto sonoro contra a exploração de petróleo na Amazônia. A faixa, assinada por Carlos Rennó e Frejat, foi lançada dias antes do leilão de 47 blocos na Bacia da Foz do Amazonas, no qual as petroleiras arremataram 19 áreas, um grande descaso com o meio ambiente, já que a região abriga uma biodiversidade riquíssima e cerca de 13 mil indígenas.
Mesmo com o avanço do leilão e das petroleiras na região, a música serve de alerta para as preocupações com o meio ambiente. “Essa canção é sensibilidade afinada com a ciência. Uma resposta artística à insanidade de perfurar a Amazônia enquanto o planeta clama por freio”, afirma Rennó. Frejat, que divide a autoria e participa com vocais e guitarra, reconhece o ineditismo do projeto em sua trajetória: “Não costumo fazer música ativista, mas esta era necessária. A questão é muito maior do que só a transição energética do Brasil, mas é a contribuição do Brasil para a transição energética global.”, afirma o músico, que contou com um apoio conhecido no trabalho e ressaltou a importância das parcerias na canção: “Rafael Frejat, meu filho, me ajudou na produção musical Xênia e Thaline estão maravilhosas, cantando com muita força e muita personalidade.”
As interpretações femininas atravessam a faixa com força e lirismo. “Quando artistas se unem por uma causa, geramos consciência coletiva”, diz Xênia França. “A Amazônia está em risco. A arte mostra que há outras formas de existir: com cuidado, não dominação.” Já Thaline Karajá é direta: “A luta contra a exploração de petróleo na Amazônia é garantir um futuro verde para os nossos filhos.”
Gravado nos estúdios Dubrou (RJ) e Space Blues (SP), o videoclipe também possui imagens de lideranças indígenas, como Luene Karipuna, e ativistas como a bióloga e comunicadora Jessi Alves e as atrizes Laila Zaid e Yanna Lavigne, ampliando o alcance do manifesto. Imagens da floresta se misturam a registros de resistência. O clipe transforma o protesto em linguagem visual e pública — uma tomada de posição contra os riscos impostos ao Grande Sistema Recifal da Amazônia, bioma ameaçado pelos planos de perfuração. “A exploração de petróleo na Foz do Amazonas representa uma ameaça significativa aos ecossistemas marinhos e aos modos de vida das comunidades costeiras.”, afirma a coordenadora da Frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade.
A campanha também convida a população a assinar uma petição digital que pede o cancelamento do leilão e cobra dos governos uma transição energética justa e imediata. O vídeo está disponível nos canais do Greenpeace Brasil.



