
Rod Krieger (Créditos: Daryan Dornelles)
Pode-se afirmar que A Assembleia Extraordinária (Café8 Music) é uma obra artesanal. Produzida de forma solitária na pequena aldeia de Sobral do Parelhão, no interior de Portugal, ela traz Rod Krieger no seu momento mais particular. Em nove faixas, ele dá vida a uma narrativa por vezes introspectiva, porém quase sempre irônica, que também sairá em filme.
Quase todos os instrumentos do álbum foram Rod Krieger quem tocou, com exceção do piano e a flauta de “Cai o Sol” e Sobe a Lua”, respectivamente assinados por João Nogueira e João Mello; do sitar de “Cabelos Longos”; e da tampura de “O Fluxo das Coisas”, ambos por Fabio Kidesh, que também está nas vocalizações da introdução, faixa-título do disco.
“Esse foi o primeiro trabalho em que fiz praticamente tudo sozinho, então tive momentos em que eu precisava me acertar comigo mesmo e decidir as coisas para poder ir para a próxima etapa do processo. Foi um aprendizado técnico e pessoal, porque ao mesmo tempo atuei como músico, produtor, compositor e engenheiro de áudio e não ter alguém para decidir as coisas do lado foi uma experiência nova”, conta Rod.
Filme
A assinatura de Rod Krieger pode ser conferida não somente nas músicas, mas também nos vídeos que vão compor o filme do álbum que será lançado ano que vem. Foi ele quem roteirizou, filmou, editou, finalizou. Para somar, imagens do fotógrafo Daryan Dornelles captadas em diferentes lugares e situações fecham a narrativa proposta. Durante a preparação para o disco, foram revelados os vídeos de “Cai o Sol e Sobe a Lua”, “Este Comboio Não Para em Arroios”, “Cabelos Longos” e “Era”.
Para o filme, ainda serão captados também registros documentais na turnê do álbum, que já aconteceu em Portugal neste mês de outubro, mas ainda passará pelo Brasil, no dia 11 de dezembro no Rio de Janeiro, no Audio Rebel, e dia 14 de dezembro em São Paulo, no Bar Alto.
Influências de A Assembleia Extraordinária, por Rod Krieger
“Quando cheguei em Portugal tentei escutar o máximo de música portuguesa possível e achei que a melhor maneira seria vir de trás pra frente. Peguei os primeiros discos dos cantores clássicos como José Cid, Sérgio Godinho, entre outros, e quis entender um pouco da cena musical do país. Um disco, aliás, dois, que me chamaram muito a atenção foram os dois primeiros discos do Jorge Palma, (Como uma Viagem na Palma da Mão e o ‘Te Já). Acho eles sensacionais e escuto frequentemente, tanto que acabaram entrando para a minha lista de álbuns favoritos da vida e, com certeza, eles tiveram uma atuação forte em mim que acabou influenciando também o A Assembleia Extraordinária”, conta Krieger que também aponta Aphrodite’s Child, Beto Guedes, Arnaldo Baptista, Bob Dylan, The Pretty Things e Kraftwerk como artistas que de uma forma ou de outra também guiaram as criações do álbum.
“De vez em quando eu revezava os artistas e ia para os brasileiros e fiz uma imersão no disco Molhado de Suor, do Alceu Valença. Daí, gravei Cabelos Longos. Outro disco que mexeu bastante comigo nessa jornada foi o José Cid 10.000 Anos depois entre Venus e Marte”, recorda.
E finaliza: “As influências sempre foram as mesmas, o que muda é o estado de espírito e, no caso da Assembleia Extraordinária, apesar de o corpo e o espírito estarem em solo português, havia uma parcela que ainda tinha uma saudade do Brasil, o que acabou gerando uma fusão de referências entre as minhas duas casas”.

A capa nasceu durante uma sessão de fotos com Daryan Dornelles. Na cozinha da casa de Krieger, em um momento de descontração, o clique foi feito. “Estávamos dando uma pausa para o café. E o retrato englobou todas as referências que havia pensado – fotos de Astrid Kirchherr, capas de discos de jazz. Além disso, explica muito do conceito do álbum, que ao mesmo tempo que tem uma referência Beatle tem um clima ‘jazzy’. E o fato de eu estar sentado tomando um café nessa mesa diz muito porque era exatamente nessa cadeira que eu tomei praticamente todos os cafés que me ajudaram a construir o disco”.
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