
Kneecap (Créditos: Matheus Paiva/Musicult)
Na última sexta-feira, 23, o Brasil passava por um de seus momentos mais tensos da história recente: o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, entre Lula e Flavio Bolsonaro. E foi nesse turbilhão de emoções e em meio a manifestações políticas que o Kneecap desembarcou em São Paulo para estrear em nosso país. Por uma feliz coincidência do destino, o show produzido pela Balaclava Records, que já estava agendado há meses, não podia ter acontecido em um momento melhor.
O trio, formado por Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí, que já é conhecido no mundo por seu forte posicionamento político que ultrapassa as letras cantadas em irlandês – o que também já é uma manifestação política e de resistência -, anunciou sua chegada na semana do show deixando claro o lado em que estavam no segundo turno das eleições. Nada surpreendente para quem já acompanha o Kneecap. E durante o show, como esperado, o grupo transformou o Cine Joia em uma plataforma de luta e conscientização política.
Depois do show de abertura, do músico brasileiro Thalin, que mistura trap e música eletrônica, em um som próximo do que faz o Kneecap, mas com uma abordagem mais festiva e jovem, o trio irlandês subiu ao palco minutos depois de “Favorite” dos amigos irlandeses Fontaines DC tocar e o telão exibir textos afirmando que Israel promove genocídio palestino e que esse genocídio é apoiado pelos Estados Unidos.








DJ Próvaí foi o primeiro a aparecer, enquanto o som de Éire go Deo rolava. Foi só quando o beat de Smugglers & Scholars começou a tocar que a dupla de rappers apareceu e o show, de fato, começou.
Para uma das plateias mais diferentes que o Cine Joia já recebeu – de jovens de, aparentemente, 19 anos, a pessoas de cabelos brancos -, o trio fez poucas, mas importantes, pausas entre o setlist.
Em meio a gritos de “Free Palestine”, “Fuck Trump”, “Fuck Netanyahu” e “Fuck Bolsonaro”, o grito que mais tomou conta foi o de “Ole Ole Olá Lula Lula”, todos apoiados pelo trio, que, inclusive, exibiu um “Bora Lula” no telão e levantou bandeiras e camisas do candidato no final do show. Impossível não ter saído do show de alma lavada e com uma esperança de que o fascismo iria ser combatido, pelo menos por aqui.
E dois dias depois, foi isso que o Brasil viu acontecer. Mas pra quem foi ao show na sexta-feira, a comemoração veio antecipada em um dos eventos mais marcantes da música em 2026.
>>Fotos por @matheusp/@portalmusicult



