
Capa de From Tokyo With Love, disco de ATARASHII GAKKO!
Como aconteceu na última lista de lançamentos publicada neste site, com músicas, videoclipes e discos lançados de maio a julho, mais uma vez fizemos um apanhado de coisas que saíram nos últimos meses e que merecem seu play, dessa vez de julho a setembro… é como uma lista de achados e perdidos, sabe?
Lançamentos musicais: julho, agosto e setembro de 2026
Álbuns e EPs
ATARASHII GAKKO! – From Tokyo with love
Mais uma atração do Primavera Sound 2026, a banda japonesa ATARASHII GAKKO! lançou From Tokyo with Love, álbum de dez faixas pela 88rising, que reúne experiências acumuladas ao longo de uma década de turnês e viagens pelo mundo, tendo Tóquio como ponto de partida e principal inspiração. Misturando funk, synth-pop, baladas de rock e canções de alta energia, o disco marca uma nova fase do grupo, que explora as identidades e personalidades individuais de SUZUKA, MIZYU, KANON e RIN sem abrir mão de sua força coletiva. Liderado pelo single “Oi AG!”, o trabalho reflete a ambição das integrantes de superar seus próprios limites, alcançar palcos maiores e ampliar sua conexão com públicos de todo o mundo.
Garage Fuzz – Powerplant

Em celebração aos seus 35 anos de carreira, o Garage Fuzz lançou em agosto Powerplant, terceiro EP com Victor Franciscon nos vocais, reunindo cinco faixas inéditas e uma nova versão de “Jaded”, originalmente lançada em Grawlix (2024). Gravado em São Paulo e produzido por Gustavo Scaranelo, o trabalho combina a velocidade e a agressividade melódica características do hardcore da banda com arranjos instrumentais e novas camadas de guitarra e vocais. Inspirado pela eletricidade, o EP aborda o desgaste mental da vida urbana, a pressão por produtividade, a ansiedade e a necessidade de romper com rotinas exaustivas e recuperar o equilíbrio.
Rashid – CUMULONIMBUS

O rapper Rashid prova que só melhora a cada lançamento, e com CUMULONIMBUS, seu sexto álbum de estúdio, não foi diferente. Com 15 faixas e participações de nomes como Emicida, Projota, Luedji Luna, Kamau e Rael, o disco revisita as raízes do Hip-Hop e a trajetória de quase duas décadas do artista, refletindo sobre o poder transformador da cultura. Inspirado na imagem das nuvens que anunciam grandes tempestades, o álbum reúne memórias, inquietações e críticas sobre o papel do rap na sociedade contemporânea. O lançamento também marca a criação do movimento Defensores da Arte do Gueto, idealizado por Rashid para promover encontros, debates e iniciativas que fortaleçam a cultura Hip-Hop e incentivem novas gerações a descobrir na arte possibilidades de expressão e futuro.
Tove Lo – ESTRUS

ESTRUS, sexto álbum de estúdio de Tove Lo, traz 13 faixas de eletro-pop que exploram as contradições entre euforia e melancolia, desejo e dúvida, intimidade e independência. Inspirado por referências como The Knife, Robyn e a cena indie dance sueca, o disco foi produzido com colaboradores como Ludvig Söderberg, Elvira Anderfjärd e Luka Kloser e conta com a participação de Stromae em “des fleurs”. O álbum nasceu de um período de mudanças pessoais e criativas para Tove Lo e transforma a ausência de respostas em tema central, acompanhando conflitos entre liberdade, compromisso, prazer, medo e expectativas sobre o futuro.
BAD LUV – O MEDO NÃO ME PAROU

A BAD LUV lançou no início de setembro O MEDO NÃO ME PAROU, seu segundo álbum de estúdio, com nove faixas que transitam pelo post-hardcore e pelo metal moderno e abordam temas como medo, insegurança, luto, revolta, amor e esperança. O disco conta com a participação de Badauí, do CPM 22, em “Dias Difíceis”, e foi construído como uma obra conceitual que deve ser ouvida em sequência, acompanhando uma narrativa sobre os conflitos e sentimentos compartilhados por seus integrantes e pelo público. O trabalho também marca uma fase de maior aproximação da banda com suas referências da cena alternativa dos anos 2000 e chega acompanhado de um clipe para a faixa-título, que aborda a luta contra a depressão.
Cigarro Mata – Cigarro Mata
Primeiro disco da banda paranaense traz a mistura de indie, psicodelia e hardcore que já curtimos nos EPs anteriores. Aqui, com dez faixas, o disco alterna momentos mais melódicos com passagens contemplativas e explosões de peso, em uma sonoridade crua e orgânica. As músicas abordam relacionamentos, rompimentos e seus desdobramentos.

Interpol – This Mirror Weigh a Ton

Primeiro álbum do Interpol em quatro anos, This Mirror Weighs a Ton é a estreia do grupo pela Partisan Records, produzido por Andrew Wyatt e mixado por David Fridmann. O disco marca uma nova fase para a banda, que se aproxima de três décadas de carreira e amplia sua sonoridade sem abandonar a atmosfera e a precisão rítmica que a caracterizam, incorporando cordas, sopros, violões, vocais em camadas, sintetizadores e elementos experimentais. Gravado pela primeira vez na base original do grupo, em Manhattan, o trabalho reúne faixas como “Wings On Fire”, “See Out Loud” e “Sudden”, enquanto mantém no centro a parceria entre Paul Banks, Daniel Kessler e Sam Fogarino, agora acompanhados pelo baixista Brad Truax, que participa pela primeira vez da composição de um álbum do Interpol. Um dos melhores da banda, sem dúvida.
Turnstile – Never Enough: Versions

Já imaginou um feat entre TURNSTILE e Elton John? E da banda com Slayyyter? Isso tudo você pode ouvir em NEVER ENOUGH: VERSIONS, projeto que apresenta novas versões das faixas de NEVER ENOUGH, álbum vencedor de dois Grammys, com participações dos artistas já citados além de Hayley Williams, Julien Baker, Panda Bear, Four Tet, Blood Orange, Faye Webster e Alex G. A releitura amplia a mistura de gêneros característica do quarteto.
Bayside Kings – ATLAS

Dias antes de sua estreia no Rock in Rio 2026, o Bayside Kings lançou ATLAS, álbum de 14 faixas que marca uma fase mais madura e melódica na trajetória de 16 anos da banda de hardcore da Baixada Santista. Inspirado no titã da mitologia grega condenado a sustentar os céus, o disco aborda o peso das responsabilidades individuais e a superação de limites geográficos, sociais e emocionais, sem deixar de lado as raízes caiçaras do grupo. Lançado pela Deck, o trabalho também marca o retorno do guitarrista Marcão após oito anos afastado e apresenta novidades na sonoridade, com mais melodia, groove e duas guitarras.
Selvagens à procura de Lei – Pivete

A banda cearense Selvagens à Procura de Lei lança Pivete, álbum conceitual que narra a trajetória de um personagem marginal urbano, do nascimento à morte. Com participações de nomes como Ailton Krenak, Leo Suricate, Silvero Pereira, Tatá Aeroplano e Arnaldo Baptista, o disco reúne influências que vão do grunge e do indie rock ao stoner e ao dub, explorando temas como memória, pertencimento, desigualdade social e resistência. Com uma proposta livre e experimental, o trabalho combina diferentes estilos e narrativas para construir um retrato da vida nas ruas, enquanto reafirma a identidade criativa da banda e sua disposição para desafiar formatos convencionais.
Ellie Goulding – I Know Too Much

Em I Know Too Much, Ellie Goulding mergulha nas contradições de relacionamentos que chegaram ao fim, entre memória, desejo e autoengano. A produção pop eletrônica e sofisticada cria uma atmosfera melancólica, enquanto faixas como “Black Prada Dress”, “Misremember You” e “For Your Entertainment” destacam os melhores momentos do álbum. Mesmo que algumas músicas repitam ideias e sentimentos ao longo do disco, Goulding encontra força ao transformar conflitos emocionais em um pop elegante e contido. Outro destaque é a faixa “Ravers”, que destoa e traz uma faixa pop pra se jogar na pista e mostra a versatilidade de Ellie. O disco ganhou músicas extras em mais duas versões: You Know Too Much e We Know Too Much.
Carly Rae Jepsen – Day and Night

Em Day and Night, Carly Rae Jepsen transforma sua conhecida paixão pelo pop em um álbum duplo que explora duas facetas do amor: a leveza ensolarada de Day (Dia), com baladas, disco, folk e toques psicodélicos, e a atmosfera mais dançante e sintética de Night (Noite). Entre romances, desejo, intimidade e a vontade de construir uma vida a dois, Jepsen amplia sua paleta sonora e se permite alguns desvios experimentais, como elementos de bossa nova e arranjos mais inusitados.
Singles
Tagua Tagua – Fez a minha onda bater
Tagua Tagua, projeto solo de Felipe Puperi, inicia um novo ciclo com “Fez a Minha Onda Bater”, primeiro single do quarto álbum da carreira, previsto para 2027. A faixa combina guitarras suingadas, baixo melódico e grooves contagiantes com referências à música brasileira, especialmente Cassiano e Jorge Ben, equilibrando memória e experimentação. Produzida pelo próprio Puperi, a música conta com Leo Mattos na bateria e traz uma letra sobre aquela sensação de ser tomado por algo maravilhoso. O videoclipe, dirigido por Lucas Mooluscos, acompanha um fim de semana entre amigos que ganha contornos estranhos e imaginários, com estética inspirada nos anos 1980 e 1990 e em “Twin Peaks”. O lançamento também marca o retorno do projeto aos palcos, após uma série de shows pela Europa, agora com apresentações no Brasil.
Lia Kapp – Burn this house down
A curitibana Lia Kapp lançou em agosto o single “Burn This House Down”, segunda prévia de seu próximo álbum, em que assume uma abordagem mais política e agressiva. A faixa questiona como o olhar de outras pessoas e instituições influencia a forma como construímos nossa identidade, especialmente a partir da experiência de ser mulher, e busca incentivar uma reação aos lugares e padrões que nos são impostos. Com sonoridade descrita pela artista como “apocalíptica”, a música foi construída em parceria com sua banda e teve origem durante o bacharelado em Música na UFPR. O single dá continuidade ao caminho iniciado por “Black Mamba” e antecipa um segundo disco marcado por peso, raiva e reflexões sobre a realidade social.
Getúlio Abelha e Canto Cego – Toda Semana Rock
Getúlio Abelha se uniu à banda carioca Canto Cego em uma nova versão rock de “Toda Semana”, faixa originalmente lançada no álbum Autópsia+. O encontro combina a estética que mistura forró, brega, pop e eletrônico de Getúlio ao peso e à poesia urbana do quarteto, com um visualizer gravado na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.
RHARA – Escolhas
Formada em 2026, em Garopaba (SC), a RHARA estreia sua trajetória com “Escolhas”. Liderado por Rafael Cassol, o quarteto combina pop contemporâneo, indie e grunge dos anos 1980 e 1990, misturando bateria, guitarras, sintetizadores e elementos eletrônicos em uma sonoridade de contrastes. A faixa aborda destino, transformação e as consequências das escolhas, usando os rios como metáfora para os diferentes caminhos da vida.
Katy da Voz e As Abusadas – FRANKFURT
Antecipando o próximo disco, Katy da Voz e as Abusadas lançaram “FRANKFURT”, que transforma experiências vividas durante a Eurotour em uma narrativa de humor, sarcasmo e sátira. Produzida por Gorky e Pzzs, a faixa traz uma sonoridade mais atual e marcante, sem deixar de lado a irreverência que caracteriza o grupo. Embora não tenha sido planejada inicialmente como single, a música foi escolhida para apresentar o novo momento do trio e começar a revelar a estética do próximo trabalho, mantendo a abordagem sobre liberdade, identidade e afirmação que atravessa sua trajetória na cena urbana e LGBTQIAPN+.
Slipknot – Arsenal
Dias antes de serem confirmados como primeiros headliners do The Town 2027 e após polêmica com a saída não explicada de Sid Wilson, o Slipknot lançou “Arsenal”, primeira música inédita da banda em mais de três anos, e a primeira gravada com Eloy Casagranda na bateria. A faixa veio acompanhada de um videoclipe dirigido por M. Shawn Crahan (Clown) e estrelado por Jackson White, e reúne elementos característicos do grupo, como riffs pesados, vocais incisivos e teclados marcantes, enquanto combina influências de metal, punk e hip-hop em uma produção densa e explosiva.
Pitty – Sobremesa
Em outubro, Pitty lançará seu álbum homônimo e o primeiro single lançado coloca as guitarras em primeiro plano e combina um instrumental vigoroso a uma letra marcada por ironia e urgência, antecipando uma fase que, segundo o produtor Rafael Ramos (Deck), recupera a atitude dos primeiros trabalhos da artista sem deixar de olhar para o presente. O single também ganha um videoclipe idealizado por Pitty e dirigido por Jorge Daux, com direção criativa de Carol Barragana. No novo disco, Pitty assume a criação e direção geral, além de participar da produção musical e da construção da estética e da narrativa do projeto, que também será levado aos palcos a partir de outubro.
Troye Sivan – Party
Troye Sivan aposta na pista de dança em “Party”, novo single que incorpora um sample de “Music”, de Madonna, e transforma a celebração queer em uma viagem pelo tempo. O clipe, dirigido por Gordon von Steiner, foi gravado em um castelo na Inglaterra e apresenta Sivan como um cavaleiro medieval em meio a coreografias, festas e cenas sensuais, com narração de Ian McKellen. A ideia de uma “linhagem queer” atravessa o vídeo, conectando diferentes gerações por meio da noite, da dança e da comunidade. “Party” é o segundo single de She’s the Best, quarto álbum de estúdio de Sivan, previsto para 9 de outubro.



