
Coala (Créditos: Daiana Santos/@a_meninadasfotos/Musicult)
Criado em 2014 com a proposta de fortalecer a música brasileira e aproximar diferentes gerações de artistas e públicos, o Coala Festival chegou à sua 12ª edição em 2026 reafirmando esse papel de ser um dos principais encontros da música brasileira contemporânea.
No último fim de semana, nos dias 12 e 13 de setembro, o festival ocupou novamente o Memorial da América Latina em São Paulo, reunindo artistas consagrados, nomes da cena independente e novos talentos em uma programação marcada por encontros inéditos e cruzamentos de gerações.
Os shows que mais gostamos no Coala Festival 2026
No Coala, a música vem em primeiro lugar, mesmo com as muitas áreas de ativações, então não podemos falar da estrutura antes dos shows porque é sempre no line-up que o Coala acerta mais.
Neste ano, os headliners foram Maria Bethânia, no sábado, e Criolo, no domingo. E é impossível falar dos shows de destaque sem falar de Bethânia, ou melhor, do acontecimento Bethânia.

Seja você um fã de décadas ou alguém que estava vendo o show da diva pela primeira vez, o impacto é sempre grandioso: a presença dela e a voz de quem canta lindamente sem fazer esforço algum soaram pelo Memorial deixando todos os presentes emocionados.
Antes dela, no sábado, se apresentou Emicida, que fez o show mais lotado da noite, tornando o Memorial, que é imenso, em um local até apertado para transitar. Foi visível o quanto o rapper era a atração mais esperada do dia, superando até mesmo a headliner.
Em um show menor do que o apresentado em sua turnê solo, Emicida não focou no disco novo, tocando algumas faixas dele, mas passeando por sua trajetória, incluindo “Pantera Negra”, “Hoje cedo” e, claro, “Amarelo”, música que é impossível de ouvir sem ficar com um nozinho na garganta. O show ainda teve participações de Jotapê, Puro Suco e Os Prettos.

Mas antes de Emicida, outros 4 shows marcaram o primeiro dia de Coala.
Zeca Velloso abriu o palco mostrando que o talento é de família. Na sequência, Cícero tocou canções de seu trabalho mais recente e terminou com os clássicos de seu disco “Canções de Apartamento” que completa 15 anos em 2026, mas, no meio do show, Duda Beat entrou para que os dois cantassem músicas dele e dela (“Bixim”, “Meu pisêro” e “Todo Carinho”) e rolasse muita troca de elogios entre eles, tanto que Duda confessou que “Todo Carinho” foi composta para Cícero depois dele escrever uma carta pra ela dizendo que desejava “todo o carinho do mundo” pra ela, mas Duda, que na época era apaixonada por ele, respondeu que todo carinho do mundo pra ela era pouco. Sim, tivemos música boa e fofoca, gostaram?
A tarde ainda teve outro encontro, o de Ana Frango Elétrico com Marcos Valle, dupla que já se apresentou junta em outras ocasiões e que mostraram porque isso tem acontecido: o encontro entre o clássico e o moderno tem muita sinergia no palco e foi o setlist ideal para o pôr-do-sol do sábado.
E se o Coala tem uma edição em Portugal, um pedacinho de Portugal se apresentou no Coala Brasil, a banda Buraka Som Sistema tocou no meio da tarde e fez todo mundo dançar no festival com o ritmo Kuduro. Rolou até a parceria da banda com a funkeira Deise Tigrona que, por hoje viver na Europa, não pôde participar do festival pessoalmente.




Já o domingo iniciou com mais uma dupla, dessa vez, Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, que lançaram o projeto Handycam e levaram esse disco ao palco do Coala. Depois, o rap com alma de diva pop tomou conta com Duquesa e, na sequência, Luedji Luna chamou as mulheres do Fat Family para o palco de seu show, encontro que aconteceu devido à admiração mútua das artistas, já que Luedji contou em uma entrevista que o primeiro disco que ganhou na vida foi do grupo, nos anos 90.





O fim do Coala foi chegando e, com ele, o namoradinho do Brasil subiu ao palco para fazer um dos shows mais animados da noite: João Gomes mostrou que sabe como encantar uma grande plateia. Com um show extremamente cativante, o cantor não deixou o público descansar com seus sucessos, principalmente o hit “Dengo”, e versões como “Me adora” (Pitty) e “Como eu quero” (Kid Abelha). Impressiona a capacidade de João de cativar e emocionar a plateia, e também o quanto sua banda é competente. O som impecável ajuda o show a ser um experiência completa de muita dança e música boa e explica o porquê João Gomes é quase uma unanimidade entre todos os públicos.
Depois, Seu Jorge subiu ao palco do Coala pra apresentar seu mais novo trabalho The Other Side, e foi um sucesso com o público. A consolidada carreira do cantor não deixa espaço para dúvida e, e entre novas canções e sucessos, seu Jorge apresenta sua habilidade vocal admirável, além de uma banda de apoio muito competente. Os destaques do setlist ficaram para os clássicos “Burguesinha”, “Amiga da minha mulher” e “Mina do condomínio”.
E pra fechar o Coala 2026, Criolo apresentou o show especial de 15 anos do seu álbum mais emblemático, Nó na orelha, que o projetou para os grandes públicos e gerou um grande impacto em sua carreira. Em um show muito emocionante para quem aguentou a forte chuva do domingo de Coala e a maratona de shows, Criolo fez valer a pena e tocou o álbum na íntegra, com espaço para faixas de outros álbuns, como Convoque seu Buda. Era nítida a felicidade de Criolo de relembrar o passado com o público presente, e o cantor comemorou muito junto a sua banda em diversas músicas, especialmente nos destaques “. Os destaques ficam para os clássicos “Bogotá”, “subirusdoistiozim”, “Não existe amor em SP” e “Sucrilhos”.



Os erros e acertos do Coala Festival 2026
Erros? Não temos. Pois é, se você acompanha outras coberturas deste site sobre o Coala, sabe que ele é um dos festivais queridinhos desta equipe e tem razão de ser. O palco é enorme e fica separado da maior parte das áreas de ativações e alimentação, evitando filas e desorganização entre quem quer ver o show e quem quer fazer outra coisa. Os banheiros também são bem distribuídos e em quantidade suficiente para evitar filas e perrengue.
Um outro acerto são os DJs sets entre um show e outro serem no próprio palco principal. Quem quer esperar pelo show ali mesmo, não precisa se distrair com celular: a música brasileira não para no Coala. E o telão na área da alimentação também não te deixa perder nada enquanto se alimenta. E neste ano, no palco principal, representantes da Matte e da Crystal distribuíram água e chá gratuitos para o público, ou seja, nem precisava ir longe dali pra se manter hidratado durante os shows.
Claro que nossa experiência se resume a experiência de quem entra como imprensa, então alguns acessos de público não podemos comentar, mas nas redes sociais do festival não há reclamações posteriores quanto a filas, perrengues etc. apenas pedidos de novas atrações para os próximos anos. Se formos pontuar algo, talvez, seja a questão dos preços, que inclui a compra do cartão Zig (R$7) somado ao valor das bebidas e alimentos que não é baixo, mas, nada fora do valor normal de festival (que é alto em todo evento desse tipo, infelizmente).
E de acordo com a assessoria do evento, o Coala ofereceu acesso prioritário na entrada e atendimento prioritário em todas as áreas para pessoas com deficiência, 60 anos ou mais, gestantes e pessoas com crianças de colo. A estrutura contou, ainda, com acessibilidade arquitetônica em todos os espaços, incluindo bares, praças de alimentação e ativações de marcas, além de tradução em Libras em todas as apresentações do palco principal, ampliando o acesso à programação cultural. Também foram disponibilizadas áreas reservadas para pessoas com deficiência e atendimento prioritário no palco principal e na Vila Coala, que contou com banheiros acessíveis, ampliando o compromisso do festival com inclusão, diversidade e segurança.
>>Resenha por Fernando Oliveira e Leticia Pataquine; fotos por Daiana Oliveira (@a_meninadasfotos). Confira todas as fotos no Insta do Musicult



