
Swave (Créditos: Lucas Santos @luke.that.pic/Musicult)
Idealizado pela 5511 Entretenimento, o SPIM nasceu com a proposta de conectar artistas, público e profissionais que movimentam a cena independente ao longo de todo o ano. Em sua primeira edição, o festival levou essa ideia para as ruas de São Paulo e espalhou sua programação por diferentes regiões da cidade, ocupando palcos fundamentais para a circulação da música autoral, como Algo Hits, Bar Alto, Casa Natura Musical, Casa Rockambole, Cine Joia, Fenda 315, FFFront, Hangar 110, La Iglesia e Porta.
Ao longo de cinco dias, o SPIM reuniu artistas de diferentes gerações e vertentes da música independente brasileira. Passaram pelo festival nomes como Boogarins, Menores Atos, Sugar Kane, Garage Fuzz, Ludovic, Garotas Suecas, Molho Negro, Julieta Social, Bad Luv, Budang, Jovens Ateus, Pelados, Chococorn and the Sugarcanes, Camarones Orquestra Guitarrística, Zepelim e o Sopro do Cão, Deb and the Mentals, Turmallina, Ottopapi, Ana Paia, boasorte, Esse Lado Pra Cima, glover, Metade de Mim, Swave, Jonabug e Chão de Taco.
Mais do que uma sequência de shows, a primeira edição mostrou na prática a força de uma programação espalhada pela cidade. Quem adquiriu o passaporte teve acesso a todos os eventos e, como a distância entre boa parte das casas participantes era relativamente pequena, foi possível montar uma verdadeira maratona musical e acompanhar dois ou até três shows no mesmo dia.
O resultado foi uma programação que colocou público, bandas e casas de shows em movimento: exatamente a proposta de um festival que se apresentou como uma celebração da cena independente durante todo o ano.
Uma quarta-feira para esquecer o cansaço
Um dos exemplos mais marcantes dessa proposta aconteceu em uma quarta-feira no Bar Alto, que recebeu um show com ingressos esgotados de Swave e Molho Negro. Em plena metade da semana, o público lotou a casa e provou que havia espaço e disposição para a música independente também fora do circuito tradicional de sexta a domingo.
A noite começou com a Swave, que entregou um show consistente e fez o público cantar e pular do início ao fim. A apresentação também serviu para antecipar alguns dos próximos lançamentos da banda e compartilhar com os fãs mais detalhes sobre a live session que havia sido lançada no YouTube.









Logo depois, foi a vez do Molho Negro subir ao palco. Para quem chegava ao show depois de um longo dia de trabalho, o cansaço parecia desaparecer assim que a banda começou a tocar. A conexão entre público e grupo foi um dos grandes destaques da noite, em uma apresentação baseada no repertório da turnê do álbum mais recente, vidamorteconteudo.
Entre as músicas mais aguardadas estiveram “OUTRAS PESSOAS PENSAM” e “bombas & refrigerantes”, que fizeram o público cantar junto. Para os fãs de longa data, porém, a noite ainda reservou uma surpresa: Amanda Monteiro subiu ao palco para cantar “Pica de carro”, clássico do álbum Lobo, de 2014.








Foi uma daquelas noites em que a proposta do SPIM se materializou diante do público: uma casa cheia, uma banda em sintonia com quem estava na plateia e a possibilidade de descobrir ou reencontrar artistas da cena independente em um dia comum de semana. Quem viveu aquela quarta-feira certamente não saiu arrependido.
Um festival que movimentou a cidade
Essa possibilidade de aproximar artistas já consolidados na cena de novos nomes foi um dos pontos mais importantes da primeira edição do SPIM. O formato também permitiu que o público circulasse por diferentes espaços e conhecesse casas de shows que fazem parte da infraestrutura da música independente paulistana.
A programação do sábado (15), por exemplo, reuniu alguns dos principais nomes do festival em diferentes pontos da cidade. Boogarins e Pelados se apresentaram na Casa Natura Musical, enquanto no FFFront, Esse Lado Pra Cima e glover levaram o indie rock ao público, e Camarones Orquestra Guitarrística e Zepelim e o Sopro do Cão realizaram uma edição da Noite DoSol na Porta.
Além disso, Sugar Kane e Menores Atos ocuparam o Hangar 110 e nós estivemos lá presenciando esse encontro entre duas das bandas mais relevantes do cenário underground. A noite rendeu até stage dives de todas as idades e uma parceria entre Cyro e o Sugar Kane no palco.













Música, mercado e troca de experiências
A programação também foi além dos palcos. Nos dias 15 e 16 de agosto, o SPIM promoveu uma conferência gratuita voltada aos profissionais da música independente. Realizado na Casa Rockambole, o encontro reuniu cerca de 40 convidados em dez painéis dedicados aos principais desafios e transformações do setor.
Entre os temas discutidos estiveram direitos autorais, criação de selos, circulação de artistas, sustentabilidade financeira, festivais, jornalismo musical, internacionalização e o papel das casas de shows na formação de público. A programação contou com representantes de iniciativas como Lollapalooza Brasil, Popload, Festival Bananada, Festival DoSol, Casa Natura Musical, Cine Joia, Balaclava Records, YBmusic, 30e, UBC, ABMI e Tratore.
Também participaram artistas como Ale Sater (Terno Rei), Léo Ramos (Supercombo), Carol Navarro (Supercombo), Cris Botarelli (Far From Alaska / Ego Kill Talent) e Phil Fargnoli (CPM22 / Repetente Records).
A conferência ajudou a completar a proposta do SPIM: não se tratava apenas de colocar bandas no palco, mas de criar um espaço de encontro para quem faz a música independente acontecer: dos artistas e produtores ao público, às casas de shows, aos selos, jornalistas e demais profissionais do setor.
Na primeira edição, o SPIM mostrou que um festival pode ser mais do que uma concentração de atrações. Ao espalhar shows pela cidade, conectar diferentes espaços e promover discussões sobre o mercado, o evento colocou em evidência uma rede que existe durante o ano inteiro, mas que nem sempre recebe a atenção que merece. E, para quem esteve na plateia, ficou a sensação de que movimentar a cidade por meio da música independente era justamente o que tornava o festival tão necessário.



