
Capa de Be Sweet to Me, disco de Violet Grohl
Este site, ou melhor, a editora deste site que vos escreve agora, tinha o costume de fazer listas mensais, mas somos um site independente e a vida nem sempre deixa espaço pra gente seguir um planejamento… por isso, em maio e junho não teve lista com os lançamentos que ouvi e curti, mas vim compensar essa ausência com um top 20 de respeito, reunindo os melhores álbuns, EPs, singles, enfim, os melhores lançamentos musicais de maio até julho e que você, se não ouviu, deveria ouvir agora!
Lançamentos musicais: maio, junho e julho de 2026
Maio
Violet Grohl – Be Sweet to Me
Em Be Sweet to Me, seu álbum de estreia, Violet Grohl, filha de Dave Grohl, busca afirmar uma identidade própria para além do sobrenome famoso. A cantora e compositora de 20 anos combina influências marcantes do rock alternativo e do grunge dos anos 1980 e 1990, com ecos de Hole, PJ Harvey, Mazzy Star, Pixies e Cocteau Twins. Produzido por Justin Raisen, o disco explora temas de vulnerabilidade, amadurecimento e imaginação sobrenatural, inspirados também pela paixão da artista por filmes de terror e pela obra de David Lynch.
Kneecap – FENIAN

Em seu segundo álbum de estúdio, FENIAN, o Kneecap veio para a luta, aprimorando seu som e expandindo sua visão para entregar um disco que é mais sombrio, mais conflituoso e mais confiante. Ao longo do disco, o trio, que vem ao Brasil ainda este ano, equilibra o confronto com a técnica, combinando inteligência mordaz com energia inegável. O resultado é um álbum que emociona tanto quanto provoca, marcando um novo pico claro na evolução do grupo.
The All-American Rejects – Sandbox

Primeiro álbum completo dos “americanos rejeitados” em 14 anos, Sandbox mostra o grupo abraçando exatamente quem são. Sandbox captura a banda em seu momento mais autoconfiante. Liderado pela composição de Ritter, o álbum equilibra os refrãos característicos da banda com uma perspectiva mais afiada e reflexiva, moldada pelo tempo, pelo crescimento e pelo caos da vida adulta: “O disco aborda temas como reconciliação com a juventude, ter que finalmente se sustentar sozinho como adulto e encarar o mundo exterior”, diz Ritter. “Sandbox me ajudou a sobreviver nesta era moderna – não apenas onde estou na minha vida, mas no mundo.”
Morro Fuji – Ainda nem doeu

A Morro Fuji consolida em seu disco de estreia, Ainda nem doeu, o conceito de “MPBaze”, mistura de MPB, indie rock e shoegaze marcada pelo contraste entre texturas ruidosas e melodias sensíveis. Produzido por Lucas Rocha (Cidade Dormitório), com participações como os arranjos de trompete de Daniel Gralha (Bixiga 70), o disco reúne 11 faixas que exploram memórias, amadurecimento e a passagem do tempo sob uma perspectiva nostálgica e sensorial.
Junho
Interpol – This Mirror Weighs a Ton/See Out Loud

Com um disco programado para 28 de agosto, o Interpol antecipou duas faixas: “This Mirror Weighs a Ton” (que será título do disco) e “See out loud”. As faixas exploram a dualidade, mostrando o Interpol expandindo os limites de sua própria sonoridade sem perder a essência que o tornou uma referência. A faixa-título se desenvolve como uma revelação gradual, guiada por linhas de baixo distorcidas, movimentos ondulantes, texturas vocais fantasmagóricas e um design de som imersivo que transforma a linguagem familiar da banda em algo mais amplo e sutilmente estranho. Já “See Out Loud” aposta em ritmos tensos, guitarras cortantes e na atmosfera noturna tão associada ao Interpol, enriquecida por harmonias vocais sobrepostas, mudanças de perspectiva e uma rara participação vocal de Daniel Kessler – sua primeira desde “PDA”, do álbum Turn On The Bright Lights.
Olivia Rodrigo – you seem pretty sad for a girl so in love

Contando a história de um relacionamento partindo da euforia de se estar apaixonada e obcecada pela pessoa amada até perceber que o amor romântico não é a salvação de seus problemas e, enfim, sofrer pelo término, Olivia Rodrigo se consolida como uma das cantoras mais autênticas da cena atual, e com ótimas referências, tendo até a participação de Robert Smith, do The Cure, em uma das faixas.
Bebe Rexha – Dirty Blonde

Dirty Blonde chega para coroar a era mais autêntica e destemida da trajetória de Bebe Rexha, consolidando uma importante guinada nos bastidores: este é o primeiro grande trabalho da artista em parceria com o selo independente EMPIRE, aliança que lhe garantiu total liberdade criativa e controle absoluto sobre suas próprias regras. E ao fugir das amarras do mercado tradicional e abraçar as próprias vivências, a estrela entrega um disco que é, ao mesmo tempo, uma celebração da cultura das pistas e um desabafo poético e vulnerável.
saudade – desculpa eu ser um trem desgovernado
Escrita a seis mãos por saudade em parceria com Junior Ayres e Thaís Alvarenga, “desculpa eu ser um trem desgovernado” é um desabafo poético sobre a velocidade dos tempos atuais, a ansiedade e o medo de se tornar um fardo para quem se ama. A letra usa a metáfora de uma locomotiva sem freios para falar sobre os atropelos da vida adulta e a busca por um respiro. O refrão traz versos sinceros como “não nasci pra ser gigante / pra ter tudo num instante / eu atropelo o que sou”, propondo uma reconciliação com o próprio tempo e com a vulnerabilidade.
Chuck Hipolitho – shorts shorts vol. 1

Ao lançar o EP short shorts vol. 1, composto por cinco músicas com menos de 40 segundos cada, pode parecer que Chuck Hipolitho está seguindo uma tendência das redes sociais, mas a verdade é que o seu novo lançamento torna real um conceito que ele cultiva há mais de 20 anos: fazer canções curtíssimas que dizem absolutamente tudo o que precisam dizer e somem em um instante. Inspirado por aberturas de desenhos animados, além do punk, do pop e do rock alternativo, o artista aposta em composições extremamente concisas, capazes de transmitir uma ideia completa em poucos segundos.
As faixas abordam temas que vão de reflexões existenciais a críticas sociais e homenagens ao rock alternativo, em um processo criativo que parte da letra antes da música e resulta em gravações rápidas, feitas quase sempre pelo próprio Chuck. O lançamento também marca o início de uma série: enquanto o primeiro volume chega às plataformas, short shorts vol. 2 já está em produção.
Johnny Hooker – 2 punks neon
Lançada no mês do orgulho LGBTQIAPN+ como uma ode à juventude rebelde, ao direito de sonhar e à sobrevivência afetiva em tempos de brutalidade política e esgotamento emocional, “2 Punks Neon” nasceu de uma reflexão de Johnny Hooker sobre a importância de preservar o encantamento das primeiras experiências, mesmo diante do medo, da violência e do avanço do conservadorismo. “Essa música surgiu de um desejo muito forte de continuar acreditando no afeto e nas pessoas mesmo depois de tudo que a nossa geração viveu. ‘2 Punks Neon’ fala sobre não deixar o medo endurecer completamente a gente. Tem muito da memória das primeiras descobertas, daquela sensação de sair pela cidade pela primeira vez, se apaixonar, encontrar sua turma, entender quem você é. Acho que existe uma beleza muito poderosa nesse momento da vida e eu queria guardar isso na música”, diz.
Catarina Zenaro – I want the love I see in movies

A cantora e compositora Catarina Zenaro lançou o EP I Want The Love I See In Movies, trabalho autoral em inglês que reúne cinco faixas sobre relacionamentos, perdas, amadurecimento e a busca por um “amor de cinema”. Gravado em São Paulo entre 2024 e 2025 e produzido em parceria com Rique Di Azevedo, o projeto traz um pop suave e aposta em uma sonoridade orgânica e intimista para transformar experiências pessoais em canções confessionais, abordando temas como nostalgia, rompimentos, desilusões e esperança, reafirmando a artista como uma voz sensível capaz de traduzir emoções universais em histórias honestas e profundamente humanas
Julho
Liniker – Melhor notícia
“Ando atrás de suas notícias / Tenho dormido pra te encontrar / Não é à toa, não sou turista / Eu viajei e quero voltar…” É assim que Liniker convida o público a mergulhar em seu diário em forma de canção, “Melhor Notícia”, single lançado dias antes do início da tour de despedida do disco Caju.
Ao longo da música, a cantautora conduz o ouvinte por essa narrativa como quem percorre as cenas de um road movie. E, quando já não é preciso dizer mais nada, a jornada se encerra em vocalizes harmonizados. A produção também chama atenção pelos arranjos de sopros e pelos sintetizadores, que ampliam a atmosfera emocional da canção.
Madonna – Confessions II

Talvez o maior lançamento do ano, o retorno de Madonna aos discos inéditos e às pistas de dança foi um acontecimento! Ao reencontrar o produtor Stuart Price, Madonna inaugura um novo capítulo do universo revolucionário criado em “Confessions on a Dance Floor”, álbum de 2005. Ao longo das 16 faixas mixadas de forma contínua que compõem “Confessions II”, a artista mergulha em temas como amor, trauma, perda e cura. O trabalho reafirma sua convicção de que a música eletrônica vai muito além do entretenimento: a pista de dança é um espaço de refúgio, conexão, liberdade e sobrevivência.
Rashid – YOWA
“YOWA” é o primeiro ato da nova era de Rashid e apresenta as inquietações do novo projeto do artista, o disco CUMULONIMBUS, previsto para agosto. Densa e provocativa, “YOWA” é uma faixa que evoca a espinha dorsal do discurso do artista. Não por acaso, o rapper escolheu falar da representação de uma encruzilhada e usa essa metáfora para lançar um olhar crítico sobre o momento que o rap atravessa hoje, ao mesmo tempo em que revisita os caminhos de sua própria jornada. O título faz referência ao Yowa, elemento central do cosmograma bakongo, símbolo ancestral dos povos bantu que representa os ciclos da vida e do tempo, “o ciclo sem fim”.
Allpacas – Jorge

Com mais de uma década de trajetória no underground, a Allpacas lançou Jorge, seu primeiro álbum de estúdio. Misturando hardcore melódico e influências de post-punk, o disco reúne 14 faixas que abordam temas como moradia, precarização do trabalho, desigualdade social e política, sempre com a ironia característica da banda. Gravado ao vivo em apenas dois dias na Hup Sounds, em Americana (SP), e finalizado pelo guitarrista Bruno Meneghel, Jorge representa a consolidação dos 11 anos de história do grupo e sintetiza toda a sua evolução musical e identidade crítica.
Melton Sello – OPA!

A banda de pop punk Melton Sello lançou seu aguardado álbum de estreia, OPA! (“O Primeiro Álbum!”), consolidando a identidade construída ao longo dos últimos anos com singles e um EP inspirados no pop punk e emo dos anos 2000. Produzido por Matt Nunes no Estúdio Mojo e lançado pela Deck, o disco apresenta uma narrativa dividida em duas partes que transita entre o alto-astral e os desafios do amadurecimento, além de contar com participação da atriz Maitê Padilha na faixa “Microplásticos”. Repleto de easter eggs, da capa ás letras, novas referências e uma sonoridade atualizada, OPA! terá clipes para todas as faixas no canal oficial da banda no YouTube.
Marina Mole – Slowdancing
Depois de apresentar o surf rock ensolarado de Luneta Azul, Marina Mole revela um lado mais intenso de seu próximo álbum, Azucrim, com o single Slowdancing. Misturando garage rock, punk e poesia, a faixa nasceu de uma parceria com o poeta Guilherme Ziggy e aborda o desejo de acompanhar o ritmo de alguém mesmo diante das inseguranças. Gravada em fita de rolo por Beeau Gomez, com mixagem de Eduardo Possa, a música cresce de forma gradual até explodir em guitarras distorcidas, antecipando uma das facetas do disco, previsto para o segundo semestre pelo selo Café8 Music.
Riviera Gaz – MUST BE
A Riviera Gaz apresenta “Must Be”, segundo single do álbum Catacroma, que será lançado em 20 de agosto nas plataformas de streaming e em vinil pela Vampire Blues. Inspirada em uma estadia do vocalista Gustavo Riviera no Hotel Cervantes, em Montevidéu – onde descobriu ter ficado no mesmo quarto que ambienta o conto A Porta Condenada, de Julio Cortázar -, a faixa amplia a atmosfera cósmica e experimental já apresentada em “Monomania”, single lançado anteriormente.
Deco Gontijo – Sempre quis falar/Domingo
O cantor, compositor e guitarrista Deco Gontijo apresenta o compacto Sempre quis falar / Domingo, primeiro lançamento de sua carreira solo, no qual se afasta temporariamente das guitarras da banda cumbuca para explorar uma sonoridade inspirada em MPB, jazz, soft rock dos anos 1970 e bedroom pop.
Produzidas em colaboração com Rubens Adati e gravadas ao lado de músicos como Digo Mattos, Mike O’Brien e Leonardo Ryo, as duas faixas nasceram de experimentações em estúdio e improvisos que ampliaram seus arranjos. Enquanto Sempre quis falar mergulha nas inseguranças e expectativas de quem inicia um relacionamento, Domingo traduz a melancolia e a ansiedade típicas do fim de semana, marcando o início de um projeto em que Deco busca expandir sua linguagem musical sem abrir mão da identidade de cada um de seus trabalhos.
Karen Jonz ft. Mae – SILENCE
Karen Jonz lança o single “Silence”, parceria com a banda norte-americana Mae, encerrando a série de lançamentos que antecede o GUIZMO Deluxe. Conhecida pelos fãs desde a pandemia, quando um trecho da música viralizou nas redes sociais, a faixa permaneceu inédita por anos até ganhar sua versão definitiva após o encontro entre os artistas durante a passagem da Mae pelo Brasil, em 2025. Além de homenagear uma das principais influências musicais de Karen, a colaboração também tem um significado pessoal, já que a banda marcou o início de seu relacionamento com Lucas Silveira. Com isso, “Silence” fecha o ciclo do álbum GUIZMO em uma edição especial que revisita o repertório original com novas interpretações e participações especiais.



