
Oklou (Créditos: Bianca Amorim @shotby.bianca/Musicult)
Se tem algo que é sempre elogiado em todas as edições do C6 Fest é a sua curadoria, que busca trazer artistas talentosos e que não costumam bater carteirinha em outros festivais. E em 2026 não foi diferente.
O line-up de 2026 trouxe artistas consagrados, como o lendário Robert Plant, que apresentou um show diferente, com uma pegada intimista e folk na companhia de Suzi Dian, do projeto Saving Grace. As vozes harmonizaram muito bem, sem deixar de fora clássicos do Led Zeppelin, como “Ramble On”, levando ao festival uma mescla de público mais maduro e muitos pais com filhos que provavelmente cresceram reverenciando essa lenda do rock.




Não foi diferente com os artistas nacionais. Um festival que sempre promove encontros musicais irreverentes reuniu, desta vez, Paralamas do Sucesso convida Nação Zumbi, em um show cheio de hits desses mais de 40 anos de carreira e que até merecia ser mais longo, de tantas músicas que essas duas bandas têm e que embalaram a jornada de tantos fãs.




Já Mano Brown, com a missão de substituir o cantor Dijon, trouxe Rincon Sapiência em um show classudo, que reuniu muito swing e ainda abriu espaço para clássicos dos Racionais, deixando o público empolgado.
Wolf Alice e The xx são duas escolhas que foram a cara do festival C6 Fest
A Tenda MetLife, no sábado à noite, estava cheia para prestigiar o Wolf Alice, um show bastante pedido no Brasil, e os integrantes da banda devolveram todo esse carinho com uma apresentação caprichada.
O grande destaque vai para a vocalista Ellie Rowsell, dona de uma voz potente; ela faz o que quer no palco e mostra por que merece ser reconhecida como um dos grandes nomes atuais do rock alternativo. Músicas como “How Can I Make It Ok?” e “Play The Greatest Hits” ganham uma atmosfera ainda mais imersiva ao vivo. Que voltem logo!
Já o The XX mostrou, mais uma vez, por que é um dos grandes nomes que moldaram o indie da última década. Mesmo sem novidades, além das músicas solo de Romy Mars e Jamie XX, o trio britânico mostrou que ainda sustenta um ótimo show, bem coeso, baseado nos seus três álbuns lançados (o último em 2017).
A sensação era de uma certa nostalgia de como era bom ser indie em 2009 ao som de “Crystalised”, um encerramento perfeito para a primeira noite do festival.
Domingo no C6 Fest foi delas: Oklou e Lykke Li
Falando na Tenda MetLife, a musicista francesa Oklou transformou o espaço na sua pista de dança particular, no que vem sendo considerado por muitos o melhor show do festival. Com uma apresentação calorosa e hipnotizante, cheia de referências ao Brasil, a também DJ se mostrou carismática e totalmente conectada ao público brasileiro, chegando ao ápice nas canções “harvest sky” e “blade bird”.



O show que veio em seguida, da cantora Lykke Li, foi um grande evento cinematográfico e esfumaçado. Passeando por toda a sua carreira, músicas como “No Rest for the Wicked” e “sex money feelings die” deixaram os fãs enfeitiçados pela sua destreza. Teve até um cover surpreendente, muito bem executado, de “Sozinho” do Caetano Veloso. Mas o clímax veio com o hit atemporal “I Follow Rivers”, que, mesmo lançado há mais de dez anos, ainda provoca uma sensação de entrega total. Papo de se jogar na pista de dança ou na tenda.

Um festival maravilhoso que também erra
O Magdalena Bay, além de ter feito um álbum que foi sucesso entre público e crítica, com elementos de estética de ficção científica e retrô futurista, tem no visual um elemento importante para o duo. E vimos isso na vocalista Mica, que trocou de roupa diversas vezes no palco, trazendo asas e máscaras alienígenas, mas ficou só nisso.




O duo poderia ter tocado em um horário mais tarde ficando alocado na Tenda MetLife, um palco com maior apelo visual e uma proposta bem mais intimista, que combinaria muito mais com o show. Isso mostrou como o senso estético faz diferença em uma apresentação como a deles.
Outra questão que o festival pode melhorar é a dos horários. Como um palco não fica tão próximo do outro, talvez nas próximas edições seja interessante dar pelo menos cinco minutos entre o início de um show e outro. Um festival que tem um uma curadoria tão diversa, merece dar a oportunidade do seu público ver todos os shows.
Mesmo com nada sendo perfeito, o C6 Fest se mostra, mais uma vez, um festival fora da curva e necessário. Um fim de semana chuvoso e cheio de lama no Ibirapuera, rendeu momentos musicalmente incríveis para quem esteve lá.



