
Com estreia no Brasil marcada para 14 de maio, Dolly: A Boneca Maldita (2025) chega cercado por uma curiosidade moderada: lá fora, o filme conquistou algumas críticas positivas, uma delas destacando os 66% de aprovação no Rotten Tomatoes, o que, somado à proposta de misturar um subgênero clássico do horror que já deu muito certo por aí, bonecos assassinos, com uma discussão sobre maternidade, eleva as expectativas, apesar do nome no Brasil remeter a uma marca de refrigerante e seu mascote pitoresco.
No entanto, passada a introdução, o filme rapidamente abandona qualquer promessa de densidade narrativa. O que se segue é uma sucessão de cenas com sangue em excesso, enquanto a protagonista, Macy, tenta sobreviver à vilã Dolly, uma mulher adulta com máscara de boneca que a sequestra para tratá-la como uma bonequinha.
A impressão é de que a trama principal se perde no caminho, cedendo espaço a um espetáculo superficial de sustos e gore sem nenhuma chance para explorarmos personagens, entender suas motivações ou dores.
Com menos de 1h30 de duração, não há tempo suficiente para que o público compreenda a dinâmica do casal protagonista, Chase e Macy, que estão fazendo uma trilha na floresta quando encontram essa figura monstruosa, muito menos para que a gente entenda, de forma convincente, o medo que a Macy sente diante da possibilidade de assumir o papel de mãe para a enteada e o que isso tem a ver com a história principal do filme.
A tentativa de inserir um plot twist do meio para o final do filme também não ajuda, só contribui para tornar a narrativa ainda mais arrastada e cansativa.
Soma-se a tudo isso uma cena totalmente surreal, em que Chase, após sofrer um ataque brutal no rosto com uma pá, a ponto de ficar com a boca aberta e a língua exposta, levanta e continua falando normalmente, escancarando a falta de compromisso do filme com qualquer lógica.
Diante disso, surge uma dúvida inevitável: Dolly é uma paródia de horror ou é uma produção que pretendia se levar a sério, mas se perdeu no meio do caminho?
Seja qual for a resposta, a conclusão é de Dolly: A Boneca Maldita acaba soando como uma oportunidade desperdiçada e que os fãs de filmes de horror mereciam mais.



