
O Portal Musicult teve a oportunidade de assistir “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra”, dirigido por Gore Verbinski.
A trama inicia-se quando um homem do futuro (Sam Rockwell) surge no meio de uma lanchonete como um único propósito: recrutar um grupo. Um grupo de pessoas dispostas a ajudá-lo na missão salvar o planeta de um futuro ameaçado por uma inteligência artificial que ainda será criada.
Trata-se de uma “distopia”, que mistura comédia, ação e ficção científica com viagem no tempo no melhor estilo De Volta Para o Futuro, contada de forma caótica e não linear. É um filme excêntrico cujo maior mérito, talvez seja não levar-se tão a sério, rendendo-se à imprevisibilidade.
A narrativa é segmentada em capítulos, o que traz fluidez à trama. O filme traz uma proposta interessante ao estabelecer arcos individuais para cada personagem envolvendo o uso de tecnologia, tanto de formas conhecidas quanto novas.
Aos poucos, esses arcos se conectam com a trama principal. Para além da sua proposta inicial, o filme provoca o espectador com ideias intrigantes, ao evidenciar discussões sobre as possibilidades dos avanços tecnológicos. Essas reflexões conversam bem com o nosso imaginário sobre um potencial futuro com presença da inteligência artificial.
Para além dessa discussão, o filme, desde a primeira cena, critica a passividade do homem diante de problemas importantes e até mesmo do eventual colapso do mundo que conhecemos, em razão da crescente dependência da tecnologia. É uma crítica dolorosamente atual.
O elenco conta com nomes conhecidos, como Sam Rockwell, Haley Lu Richardson e Michael Peña. A dinâmica do time designado para a missão de salvar o mundo funciona muito bem, havendo uma química palpável entre os seus integrantes, somada a um timing genuinamente bom de comédia.
Sam Rockwell convence como protagonista, interpretando o carismático e excêntrico líder da missão. Cada integrante, é, à sua maneira, cativante e possui motivação pessoal e arco narrativos consolidados.
O longa deixa a desejar apenas em relação ao desenvolvimento de determinadas subtramas, que poderiam ser melhor exploradas. Há perguntas deixadas sem respostas e há muitas ideias, de forma que nem todas são completamente desenvolvidas. Em uma tentativa de não comprometer a história principal, acaba-se construindo um desfecho apressado e vago em relação ao restante do filme. Assim, a reta final de “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” deixa a impressão de ter sido concluída às pressas, diferindo do ritmo estabelecido até então.
Portanto, trata-se de um filme de comédia, ação e ficção, totalmente original, que traz uma trama envolvente e apresenta conceitos interessantes explorados de forma criativa. Embora a obra peque no desenvolvimento de algumas subtramas e nos seus momentos finais, é uma boa escolha para assistir, refletir e se entreter no cinema.



