
Em fevereiro, duas bandas de épocas diferentes sobem juntas ao palco brasileiro pela primeira vez. Rival Schools e Fiddlehead se apresentam em São Paulo no dia 22, no Fabrique Club, em mais uma iniciativa conjunta da Powerline Music & Books e da NDP (New Direction Productions).
A turnê também passa por Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina, reunindo diferentes gerações de fãs de post-hardcore e emo. Os ingressos estão disponíveis no site da Fastix, por meio do link.
Enquanto o dia 22 de fevereiro não chega, vale revisitar a trajetória dos dois grupos.
Rival Schools
Formado em 1999, o Rival Schools tem à frente Walter Schreifels, figura-chave da cena hardcore mundial e integrante de bandas consagradas como Gorilla Biscuits e Quicksand. Além de músico, Schreifels também se destacou como produtor de nomes importantes do gênero, como CIV e Hot Water Music.
A banda conta ainda com o baterista Sam Siegler, que acumula passagens por grupos como Shelter, Youth of Today, 7 Seconds e Glassjaw, reforçando o peso de sua formação.
Com uma sonoridade que equilibra intensidade e melodia, o Rival Schools ganhou destaque na cena alternativa dos anos 2000. O álbum de estreia, United by Fate (2001), tornou-se um clássico, reunindo faixas marcantes como “Used for Glue”, “Travel by Telephone” e “Undercovers On”. Um disco que segue atual e influente, daqueles que despertam admiração imediata em quem escuta.
A discografia inclui ainda Pedals (2011) e Found (2013). Embora o número de lançamentos seja enxuto para uma banda formada no fim dos anos 1990, cada trabalho apresenta uma abordagem distinta, fugindo de fórmulas e explorando novas possibilidades sonoras. Peso, tradição, melodia e emoção se combinam em uma identidade própria, o que ajuda a explicar a alta expectativa do público brasileiro para o show.
Ao longo de sua trajetória, o Rival Schools construiu uma reputação sólida como uma banda que prioriza a integridade artística e a intensidade ao vivo. Mesmo com hiatos e mudanças na formação ao longo dos anos, o grupo nunca perdeu a conexão com seu público, sustentada por apresentações energéticas e pela coerência estética de seu repertório. Cada retorno aos palcos foi marcado por expectativa e atenção da cena alternativa, reforçando o status cult que a banda conquistou desde o início dos anos 2000.
Além disso, a influência do Rival Schools ultrapassa sua própria discografia. A banda ajudou a moldar a linguagem do post-hardcore moderno ao dialogar tanto com o hardcore tradicional quanto com estruturas mais melódicas e acessíveis, abrindo caminho para novas gerações de artistas. Esse equilíbrio entre agressividade e sensibilidade, aliado à bagagem de seus integrantes, mantém o grupo relevante até hoje e ajuda a explicar por que sua estreia no Brasil é tratada como um momento especial por fãs de diferentes idades.
Fiddlehead
Representando a nova geração, o Fiddlehead foi formado em Boston, em 2014, por Patrick Flynn e Shawn Costa, vocalista e baterista, respectivamente, da influente banda Have Heart. O grupo conta ainda com Alex Henery (Basement), Alex Dow (Big Contest) e Nick Hinsch (Stand Off e Nuclear Age).
Apesar da trajetória relativamente recente, a banda rapidamente se consolidou no circuito alternativo. O primeiro EP, Out of the Bloom (2014), marcou sua estreia, seguido pelos álbuns Springtime and Blind (2018), Between the Richness (2021) e Death Is Nothing to Us (2023), além do EP Get My Mind Right (2019).
Entre as faixas mais conhecidas estão “Grief Motif”, “Million Times”, “Usma” e “Head Hands”, que traduzem uma sonoridade marcada pela melodia do emo combinada ao peso do post-hardcore. O resultado honra o legado das gerações anteriores sem abrir mão da inovação e de uma identidade própria.
As letras abordam temas profundos, como luto, vida contemporânea e esperança, convidando o público a cantar em coro, quase como um desabafo coletivo. Com uma proposta musical carregada de urgência emocional, o Fiddlehead se firma como um dos principais nomes da atual cena alternativa — e um destaque imperdível no show em São Paulo.
Desde o início, o Fiddlehead se destacou por transformar vivências pessoais em composições diretas e emocionalmente carregadas, estabelecendo uma conexão imediata com o público. A experiência prévia de seus integrantes em bandas influentes da cena hardcore e alternativa contribuiu para um som maduro desde os primeiros lançamentos, combinando intensidade, sensibilidade melódica e refrões que rapidamente se tornaram catárticos nos shows.
Com o passar dos anos, a banda ampliou seu alcance sem diluir sua essência. Cada novo trabalho aprofundou a proposta estética e lírica, abordando temas como perda, resiliência e transformação pessoal com honestidade e urgência. Essa evolução constante consolidou o Fiddlehead como um nome central da cena alternativa contemporânea, capaz de dialogar tanto com fãs mais antigos do hardcore quanto com uma nova geração em busca de identificação e emoção nas canções.
Serviço – Fiddlehead + Rival Schools em São Paulo
Data: 22 de fevereiro de 2026
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda, 1071 – São Paulo/SP
Ingressos: https://fastix.com.br/events/fiddlehead-rival-schools-em-sao-paulo



