
Limp Bizkit no Allianz Parque (Reprodução Instagram @30ebr/Créditos @bmaisca)
A primeira banda pela qual eu fiquei apaixonada na adolescência foi o Linkin Park, consequentemente a minha entrada para o rock foi o New Metal. A partir dali, eu conheci Korn, Slipknot, entre outras mais ou menos famosas e… Limp Bizkit, banda que, com o passar do tempo, foi ficando um pouco agridoce pra mim.
Isso porque o som é indiscutivelmente bom dentro do New Metal, misturando rifs pesados com hip hop em letras mais raivosas, menos complexas e que exploram muito bem o tédio e a revolta adolescente que a gente sente nessa fase sem nem entender muito o porquê, mas, com o passar do tempo, passei a achar as letras mais bobas do que as de outras bandas do gênero e, claro, problemáticas (“Nookie” é pauta de discussão até hoje, inclusive, mesmo que muitos defendam que é só uma encenação de Fred Durst na letra como um homem de ego ferido para lidar com a rejeição… bom, toda criação artística está sujeita a interpretações diferentes).
Essas letras são um retrato dos anos 90? Sim, mas não houve qualquer preocupação da banda em se atualizar ou se justificar por questões machistas até hoje.
Limp Bizkit: uma banda e um show feitos pra gente se divertir
Talvez, justamente por essas questões problemáticas das letras ou simplesmente porque o New Metal não estava mais no auge do início dos anos 2000, o tempo passou e o Limp Bizkit ficou ali apenas como uma nostalgia daquele tempo.
Então vieram os anos 2020 e com ele o TikTok, fenômeno das redes sociais que tem o poder de ditar o hit do momento e, alguns desses hits, nem são do momento, são músicas antigas que voltam a hitar, como foi o caso de “Rollin'”, do Limp Bizkit, que virou trend na rede das dancinhas, inclusive com dancinha.
(tem uma versão mais simples pra quem não se garantir na performance)
Isso levou a banda a não ser só querida pelos nostálgicos, mas também a entrar nas playlists da gen z, que tem redescoberto o new metal nos últimos tempos, tanto pelo Limp Bizkit quanto pelo retorno do Linkin Park ou até por bandas do atual “metal moderno”, representado por Bring me The Horizon e Spiritbox.
Assim, não foi surpreendente que o show que aconteceu no último sábado no Allianz Parque, em São Paulo, tenha sido um dos shows com o público mais diverso que já presenciei. De pessoas que aparentavam ter mais de 40 anos, a pessoas de 25, 30 a jovens de 17 a 20 anos.
Inclusive, no Instagram do Musicult, você pode ouvir da gen z o porquê o Limp Bizkit tem tanto apelo com eles atualmente.
A reunião dos públicos já podia ser vista muito antes do show começar, já que as atrações de abertura misturaram não só gerações, mas também sonoridades que se encontram no som do Limp Bizkit, indo do trap do Slay Squad e Riff Raff ao som praiano do 311 e o peso de Bullet for My Valentine, além de um dos destaques do dia, a jovem Ecca Vandal, que mistura punk rock com pop e um pouco de hip hop.
Mas foi no show do Limp Bizkit que toda essa união ficou mais clara e ganhou tons de “confraternização de fim de ano”, já que o show em São Paulo foi o último da turnê Loserville.
No público, baby boomers que estão com a banda desde o primeiro disco, de 94; millenials, que conheceram a banda na adolescência dos anos 2000; e gen z, que conheceu a banda pelas redes sociais, edits e trends. Todos juntos em rodas gigantescas iluminadas por sinalizadores cantando os refrãos mais raivosos do new metal com Fred Durst.
No palco, entre uma música e outra, Fred chamava seus companheiros de turnê como forma de agradecimento e juntou todos eles no palco para cantar “Break Stuff” pela última vez naquela noite (a música abre e fecha o setlist).
Um momento marcante também foi quando uma fã foi chamada para subir no palco e deu um show de empolgação e presença, coisa que só os brasileiros sabem fazer.
Analisando friamente, o show do Limp Bizkit não é impecável, muito pelo contrário, traz momentos mais frios quando a banda toca músicas que não viraram grandes hits, tem mais de um cover no setlist, uma música que se repete no começo e no final, além de momentos em que o DJ toca faixas aleatórias que vão de “Proud Mary”, do Creedence, a “Walk”, do Pantera, passando por “Get down tonight”, de KC and the Sunshine Band.
Mas, quando a banda faz o que sabe fazer de melhor, que é tocar seus hits com o peso e a energia que eles têm, o público fica insano e faz daqueles momentos cenas memoráveis e de comunhão entre todos os que se identificaram com aquelas letras na adolescência ou ainda se identificam por estarem nessa fase em que tudo o que precisamos é encontrar outros “desajustados” ou “losers”, pois como Fred Durst disse, a turnê se chama Loserville por reunir os losers, e expurgar todo o sentimento de revolta que temos ou tivemos.
Analisando com a emoção, é um show divertido e que lá na frente, quando estivermos velhinhos, lembrar de ter vivido essa loucura que teve até fogos de artifício lançados pelo público no estádio. Uma vibe Woodstock 99 em São Paulo. Quem viveu, viveu.



