
Brsk Gene (Divulgação)
Brsk Gene (lê-se Berserk Gene) é o grito de quem transformou dor em arte e intensidade em manifesto. Essa é a definição que o próprio criador do projeto musical usa em sua apresentação. E como ninguém conhece melhor uma obra do que seu próprio criador, ao ouvir as músicas de Brsk a gente comprova essa ideia, e mais do que isso.
Brsk Gene é um artista solo que mistura metalcore com electronic hardstyle, trap metal e uma pegada emo visceral, dando uma nova cara ao new metal brasileiro.
Das influências de Korn e Spiritbox, da nostalgia eletrônica dos anos 2000 à brutalidade moderna do Bad Omens, o artista filtra tudo o que o inspira em um som bem moderno e ousado, que pode causar uma estranheza ao ouvirmos pela primeira vez, mas que vai se encaixando aos poucos. De acordo com ele,
É trap metal que abraça o caos. Pego a agressividade, os vocais emocionalmente instáveis e os breakdowns do nu metalcore, misturo com synths pesados do hardstyle, a psicodelia do psytrance e jogo tudo numa panela de pressão. O resultado é algo que soa familiar, mas estranho ao mesmo tempo – como se você conhecesse a melodia de um pesadelo que já teve. É música para quem não tem medo de sentir desconforto. Representa uma nova geração de artistas do underground que estão repensando os gêneros urbanos sem pedir permissão.
No single mais recente, “Fala Comigo”, além das influências sonoras, vieram no processo criativo inspirações do cinema e até de um sonho perturbador do artista.
Mas em “Fala Comigo”, as influências vieram mais do cinema – filmes de terror e ficção científica que exploram realidades distorcidas, e de alguns movimentos de arte digital como weirdcore e dreamcore. Tem também uma pegada bem brasileira do trap nacional, aquela batida que gruda na cabeça, mas dessa vez com uma produção mais suja, mais pesada e mais violenta.
A música nasceu de um sonho real que tive – meio perturbador, meio bonito. Acordei com essas imagens na cabeça: uma estrada estranha, cores que não fazem sentido, uma voz pedindo companhia. Era tão vívido que tive que transformar em música.
Sobre como transmitir essas emoções do sonho para a música, ele conta:
Comecei construindo a atmosfera primeiro – queria que soasse como estar dentro de um sonho perturbador. Gravei várias camadas de synths distorcidos e guitarras pesadas, alguns tocados “errado” de propósito para criar essa sensação de instabilidade. As batidas graves da bateria também foram programadas fora do convencional – queria que tudo soasse familiar, mas deslocado, como quando você reconhece um lugar em um pesadelo, mas algo está completamente fora de lugar. A parte mais interessante foi trabalhar com a Kouth completamente à distância – eu em Massaranduba (SC), ela em São Paulo. Passamos semanas trocando ideias via Instagram de madrugada, ela mandava referências de vocais sussurrados, eu devolvia com as bases mais pesadas.

Kouth, que faz feat com Brsk Gene em “Fala Comigo”, é uma produtora e artista de trap paulistana.
A Kouth foi uma escolha natural, mas também estratégica. Na minha opinião, ela é uma das vozes e produtoras mais importantes do underground trap nacional – um gênero historicamente dominado por figuras masculinas, e é alguém que admiro muito o trabalho. O que me chamou atenção foi descobrir que ela tem nu metal nas suas principais influências – essa ponte entre trap e metal já existia no universo dela, só precisava ser explorada. Ela tem uma pegada pesada que poucos no gênero conseguem. Quando ouvi o trabalho dela no “MASK ON!”, soube que precisava dessa energia – alguém que entende como equilibrar força e vulnerabilidade sem que soe forçado.
Mas o mais interessante é o contraste e a experimentação mútua: eu venho de uma cidade de 15 mil habitantes no interior de Santa Catarina, ela da cena underground paulista. Quem conhece o trabalho dela sabe dos vocais agressivos de trap, das letras sem filtro. Em “Fala Comigo” ela saiu completamente da zona de conforto – aparece humana, quase frágil, explorando um lado que poucos conhecem. É o encontro de duas pessoas explorando lados vulneráveis que raramente mostram.
Esse é o segundo single do artista, que está experimentando novos sonhos e que tem grandes planos pra sua música chegar mais longe, fazendo com que muita gente se identifique.
A mensagem central de “Fala Comigo” é sobre esse limiar perigoso entre o real e o surreal, mas também sobre aquela sensação de ser estranho, inadequado, e a relação desesperadora disso com a necessidade de conexão social – como em “Creep” do Radiohead. Quando você está tão isolado que não sabe mais se está sonhando ou vivendo, se aquela voz pedindo companhia está na sua cabeça ou realmente existe alguém ali. “Fala Comigo” é sobre reconhecer que às vezes nossa mente cria realidades alternativas para lidar com a solidão – e que talvez isso não seja loucura, talvez seja a única forma de sobreviver.
Quero que quem escuta essa música entenda que esses momentos de confusão entre sonho e realidade não são um defeito, são a mente tentando processar coisas que a linguagem comum não alcança. “Fala Comigo” é minha forma de traduzir essa experiência liminar específica, esse estado onde você não tem certeza de mais nada, mas ainda assim precisa de alguém para falar “fica comigo”.
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