
(Créditos: @almeidamaker)
Seja você um aficionado por música ou alguém que acompanha de longe, você provavelmente já se deparou com discussões sobre como tudo soa parecido, como a indústria molda artistas para a moda do momento e como os números de streaming, as mídias sociais e a IA estão matando a criatividade. Na contramão de tudo isso, uma dupla argentina se destaca por fazer um som novo, diferente, que não se encaixa em nenhum gênero e criticar, de forma muito bem humorada, todos esses pontos que falei no começo: Ca7riel & Paco Amoroso.
Amigos desde os 6 anos, Catriel e Ulisses compartilham não só mesmo sobrenome, Guerreiro, como também o amor pela música e duas mentes inventivas que juntas criaram um som difícil de definir, até porque eles transitaram por alguns estilos até chegar no fenômeno que vivem hoje.
Inicialmente, criaram uma banda de rock, depois, foram para a eletrônica e também ganharam projeção no trap argentino. Mas foi com BAÑO MARIA que a dupla começou a se destacar mais, pois, ali, já colocaram em prática ma união de todas essas influências em um som mais autêntico.
E com o sucesso do tiny desk de 2024, a dupla alcançou uma projeção mundial e passou a fazer parte de festivais pelo mundo todo, incluindo o Lollapalooza Brasil, onde se apresentaram no meio da tarde para um público que prestou atenção, dançou e pediu por um retorno que, ainda bem, não demorou muito e aconteceu ontem, dia 17, na Áudio, em São Paulo.



Subindo ao palco às 22h, Ca7riel e Paco Amoroso entregaram tudo o que a plateia queria: uma versão ao vivo do tiny desk, com a dupla sentada em banquinhos no início do show, uma pista de música eletrônica e até momentos mais rock’n roll com os solos de Ca7riel.
A irreverência e o bom humor dos dois também fazem parte do show, com interações breves, mas divertidas com o público.
Durante o show eu pensei muito em como eu iria escrever uma resenha do que eu estava assistindo, afinal, por mais que eu discorde de algumas das afirmações que citei no início desse texto, não é nenhuma surpresa que tudo que aparece de novo no cenário a gente consegue sempre traçar um paralelo com algo que já existe/existiu, mas com Ca7riel & Paco Amoroso não é bem assim.
O som não é só uma mistura de influências, como o próprio show é uma mistura de momentos que parecem desconexos, mas que juntos fazem a apresentação virar um SHOWZÃO, em caixa alta, mesmo. É um daqueles shows pra quem gosta de música e ponto. Sem rótulos ou que se encaixe em uma coisa só. E é daqueles que terminam já deixando a gente com vontade de ver mais.



