
Coala Festival (Créditos: Daiana Oliveira/@a_meninadasfotos/Musicult)
Acontecendo no mesmo final de semana do The Town, o Coala 2025 mostrou não haver concorrência. Até porque as propostas dos dois festivais são bem diferentes. Enquanto o primeiro mira em nomes gigantes do cenário internacional e shows feitos para serem televisionados, o Coala segue a curadoria 100% nacional, misturando estilos e nomes clássicos x contemporâneos.

Ao longo dos 3 dias de festival, 40.000 pessoas puderam ver ao vivo, em um formato que fica entre o grande e o intimista, nomes diversos, indo de Terno Rei a Caetano Veloso, passando por BK’ e Black Alien.
A experiência
Ocupando bem o Memorial da América Latina, o Coala 2025 separou a maior parte das ativações e a praça de alimentação do espaço do palco principal, assim, nada de tumulto entre quem queria ver os shows e quem queria dar uma pausa, comer ou ganhar brindes das mais de 20 marcas parceiras que estavam presentes no evento.
Um dos estandes de maior sucesso foi o da Piraquê, em que você podia participar de um karaokê e levar uma ecobag com brindes da marca. Além dele, a Pullman levou bisnaguinhas recheadas e seu mascote para fotos. O Todynho distribuiu caixinhas de sua versão zero açúcar. E a Mate Leão distribuiu chás e bucket hats.
Pelo tamanho do Memorial, as filas não atrapalhavam a passagem e todo mundo pôde circular com tranquilidade, sendo mais complicado de comprar algo no fim do dia, quando todo mundo sentia fome ao mesmo tempo, mas nada surreal para um festival. Porém, o valor elevado de comidas e bebidas no Coala 2025 foi um ponto de reclamação geral entre o público. Para se ter uma ideia, bebendo apenas uma cerveja, você já gastava R$37 contando o valor do cartão zig, do copo e da bebida.
Os 10 melhores shows do Coala Festival 2025
Agora, vamos falar do que mais interessa em um festival, os shows. Porém, antes de saber o que se destacou para nossa equipe, é importante ressaltar que cobrimos apenas os shows do palco principal. Mas, neste ano, havia mais um palco no Coala: o TIM, que recebeu uma apresentação por dia, começando com Tim Bernardes e Orquestra na sexta-feira, Arthur Verocai e Orquestra no sábado e Mateus Aleluia com Thalma de Freitas e Amaro Freitas no domingo.
Como não cobrimos os shows do palco TIM, nossa lista reúne um top 10 com os melhores shows do palco principal do Coala Festival 2025.
Sexta-feira
Marina sena


Artista! Essa é a palavra para definir Marina Sena e o belíssimo show da turnê Coisas Naturais, apresentado no Coala. Com tempo curto, sendo necessário cortar alguns hits do novo álbum do setlist, como “Combo da sorte”. Mas sem perder o brilho, Marina usou o palco e os telões do Coala ao seu favor, e fez um belíssimo espetáculo visual, acompanhada de uma incrível banda. Mesclando sons mais populares como “Tokito”, “Carnaval” e “Lua cheia” com sons mais complexos como “Mágico”, “Sem lei” e “Ouro de tolo”, Marina agrada todos os públicos, passeia por todas as vertentes da música brasileira e chama a atenção de quem ainda não a conhece. Merecia ter tocado mais tarde para um público maior, e um tempo melhor também, afinal tivemos uma sexta-feira nublada em São Paulo. Mas nem o tempo curto, o clima nublado ou o horário complicado (17h) foram adversidades para Marina.
Cidade Negra


Fazendo a transição para a noite da sexta-feira, o Cidade Negra uniu todos os públicos do bem diversificado Coala e desfilou hit atrás de hit. A nova fase da banda parece estar sendo muito boa para todos, pois a afinidade no palco se torna bastante clara. A banda, em diversos momentos, soube interagir com o público, que cantou alto músicas como “Girassol” e “O Erê” e tornou o show uma grande comunhão. Antes de fechar o show, a banda ainda homenageou Bob Marley com “Is this love” e aqueceu o coração do público.
Liniker


Liniker definitivamente fez um show de amor. Desde o início do show, onde sua banda faz uma abertura para sua entrada, o que se via na plateia eram muitas demonstrações de afeto entre amigos, casais, e até quem estava sozinho cantava pra si o amor. Com um belíssimo show do novo álbum, o aclamado Caju, Liniker mostrou mais uma vez a sua qualidade absurda como cantora e, ao lado de sua banda e backing-vocals, fez o que já era bom no álbum ficar melhor ainda ao vivo. Destaque para as músicas “Caju”, “Veludo marrom” e “Febre”.
Sábado
Zé Ibarra


O sábado começou com um show hipnótico de Zé Ibarra. Aparentemente simples, o show era, na verdade, cheio de camadas. A voz de Zé já chama a atenção e o carisma do artista era um toque a mais na apresentação, que se somou ao repertório de seu disco Afim, lançado este ano e que passeia entre músicas autorais e versões de outros artistas. Sobre a banda que o acompanhava, eu poderia dizer que foi uma atração à parte, mas não, era um conjunto com a voz e presença de Zé, com destaque para o músico que o acompanhou no violão e tornou a versão ao vivo de “Retrato de Maria Lúcia”, de Ítallo França, ainda mais linda. Além do setlist de Afim, Zé Ibarra cantou com exclusividade para o público que chegou cedo ao Coala uma música sobre medo de avião que ainda não foi lançada.
Terno Rei




Na sequência, Terno Rei marcou o palco do Coala Festival 2025 com uma plateia formada majoritariamente por fãs da banda, que chegaram cedo, pegaram grade e cantaram todas as músicas, especialmente as do novo disco, Nenhuma Estrela, lançado este ano. Nem as primeiras gotas de chuva que caíam no sábado frio afastaram o público, mas, como disse Alê Sater, vocalista, o dia estava “muito Terno Rei”, nublado, combinando com as músicas tristes da banda – entre uma música e outra, inclusive, uma fã gritou “como é bom ser triste”, arrancando risos dos músicos e da plateia. O show acabou com a ótima versão que a banda fez de “Lilás”, do Djavan.
Silva


E se o clima nublado combinava com Terno Rei, o show seguinte tinha uma vibe tão ensolarada que fez até um tímido sol abrir no céu do sábado: Silva. Abrindo com “Tudo bem”, sua parceria com Anitta, e gritando “Sem Anistia”, o músico deu início a uma das melhores surpresas do segundo dia de Coala, com uma performance grandiosa, acompanhado de uma banda incrível e um setlist que misturou faixas de seu disco “Encantado”, de 2024, com covers de Tim Maia, Caetano Veloso e Marisa Monte.
Nesse momento, o festival já estava bem mais cheio e o público cantou as músicas com muita empolgação durante todo o show, que teve poucos discursos, ao contrário do show que Silva fez no dia seguinte, em Brasília, que gerou várias polêmicas na internet (mas ele não está errado, tá?).
Domingo
BK’


BK’ era, sem dúvida, um dos artistas mais esperados do domingo no Coala. Além de sua já conhecida trajetória no hip hop, o rapper ganhou mais fãs dentro da MPB depois do último disco, Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer, que reuniu samples de Evinha e Milton Nascimento. O rapper sacudiu o público, que se mostrou bastante afiado, com todas as letras na ponta da língua. Foi um dos shows com maior duração e mais energia no festival, e teve a participação surpresa de Luccas Carlos.
Caetano Veloso


É indiscutível a importância e a presença de Caetanos na música brasileira, mas, além disso, sua vitalidade em cantar por mais de uma hora, aos 83 anos, em pé e ainda fazendo dancinha sempre impressiona.
Caetano Veloso escolheu um setlist bastante político, com canções como “Vaca Profana” e “Podres Poderes”. É claro que tocou hits românticos, como “Sozinho”, mas as músicas com maiores reflexões imperaram. “Um índio” e “Divino Maravilhoso” também compuseram o show, além de “Linha do Equador”, eternizada por Djavan. Fica o questionamento se foi proposital, devido ao 7 de setembro, ou se tudo não passou de uma feliz coincidência.
Juliana Linhares, Josyara e Cátia de França



A união das mulheres super-poderosas da música nordestina só podia gerar uma performance impecável. Viu-se ancestralidade, orgulho e potência, como é o Nordeste.
Josyara matou a saudade do público do Coala, depois de ter se aprestado na edição de 2019, e voltou trazendo músicas de seu álbum AVIA, lançado em abril deste ano, que, inclusive, já tinha a união de suas parceiras de palco, na faixa “Prova de Amor”, escrita em parceria com Juliana Linhares, e na versão de “Ensacado”, de Cátia de França, que é uma inspiração para Josyara e Juliana, além de um dos nomes mais potentes da música paraibana.
Anelis Assumpção


Apesar da grande quantidade de canções em inglês, a voz da cantora é potente e envolve o público, além de sua presença de palco que se abrilhantou ainda mais com uma banda completa e bastante diversa, com metais e vocais belíssimos.
O show teve como convidado Lazzo Matumbi e, juntos, eles mostraram que música brasileira não é brincadeira; ela é vasta e pode ter a roupagem que o brasileiro quiser dar.
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Texto escrito por Fernando Oliveira, Letícia Pataquine e Lucas Calutt. Fotos por Day Oliveira (Musicult) e Gabi Ramos (Music on The Road/Off The Record)



