
Em 13 junho, dia de Exu – o Rei do Movimento – ele deu o 1º passo, mas sua caminhada na música já não é de agora. Assinando a produção musical e audiovisual de grande parte dos trabalhos da Super Saffira, Hellp, seu companheiro de vida e estrada, decidiu colocar no mundo uma de suas canções, a mais simbólica para o começo de uma carreira, agora como cantor.
“O primeiro passo” conta a história de Hellp desde a partida do seu pai, durante sua infância, em busca de respostas e de cura para um momento que viveu. A canção veio para curar as dores do abandono, sendo ressignificada em forma de perdão, em um clipe cheio de simbologias.
Com produção do Mavi Motion Pictures, o espectador é convidado a embarcar no inferno de Pedro, o nome “pessoa física” de Hellp, mergulhando no princípio de tudo, chegando ao Ser supremo que tudo cria. Nessa parte do clipe, já ficam claras as referências ao Candomblé e ao Cristianismo, já que as figuras de Olódùmarè e Deus passam a coexistir nesse universo.
Essas referências vêm da contradição entre o Pai que tudo cria e o pai dele, que lhe deu a vida, mas foi embora: “Então que ironia que o pai criou a vida, mas o meu pai me deixou e se afastou, ao mesmo tempo que foi esse afastamento dele que me ensinou tanto”, relata Pedro.
De repente, vemos a história do mundo se fundindo com a história de Pedro. O céu e o inferno, a terra no meio que se liga ao criador por meio da figura de Exú… São tantas referências que só no Brasil poderiam se encaixar tão bem, em uma terra em que todas essas crenças acabam por coexistir e nós somos frutos dessa mescla cultural.
Neste ponto, pode-se dizer que o brasileiro, assim como Hellp, tem sede por buscar além, usando as ferramentas que tem. Além disso, elementos como a capoeira e o toque do berimbau se fazem presentes, além do rap da canção. É difícil manter a coerência entre tantos símbolos, mas o artista conseguiu unir tudo isso em seu universo.

A parceria com Saffira
Por muito tempo Hellp não pensou na possibilidade de cantar, às vezes fazia uma graça ou outra com os amigos e familiares, mas nunca tinha pensado em se profissionalizar como cantor. Saffira, sua companheira de vida, foi umas das pessoas que o incentivou a fazer aulas, além de seu próprio pai, que disse um dia após ver o filho cantar num show na Arka dos Anjos, que se ele estudasse, poderia lançar seu trabalho autoral também.
Pedro já escreve há bastante tempo, inclusive, há canções lançadas por Saffira que foi ele quem escreveu. A opinião do pai foi um divisor de águas para que ele decidisse cantar e, mais tarde, durante a terapia, foi que deu o start para esse novo momento de sua carreira.
Saffira fez parte da gravação de “O primeiro passo” com seus vocais, abrilhantando ainda mais diálogos presentes na canção. Além disso, no lançamento do clipe de Hellp, Saffira e Rezê, que também são sócios e idealizadores da Arka, apresentaram seu single “Cicatriz”. Após a apresentação do clipe, rolou um show dos três, no qual cantaram suas autorais e algumas releituras de músicas de outros artistas, encerrando com “Andar com fé”, de Gilberto Gil.
No dia 09 de julho, Saffira subiu ao palco do Whiplash, em São Paulo, com uma banda composta só por mulheres para o seu show “E se eu quiser falar com Deus?”, no qual trouxe boa parte de canções autorais e de outros artistas, além de cantar em inglês, francês e italiano. Hellp subiu ao palco para cantar “O primeiro passo” com Saffira e emocionou a plateia.
Os próximos passos

No dia do lançamento de “Primeiro Passo”, Hellp cantou “Lágrimas de Prata”, canção que escreveu para sua mãe, já que havia feito uma para o seu pai. Ela foi atriz, mas a história anterior a este momento é de “uma menina que foi deixada, adotada por uma empregada preta, criada como empregada como doméstica no quarto dos fundos, [que] consegue vencer todo esse lugar e de destino e se tornar uma pessoa famosa da TV numa época muito mais difícil de acesso e tirar a mãe desse lugar”, conta Hellp para nós.
O artista decidiu presentear a mãe com essa canção que em breve estará disponível, sendo o segundo passo de sua jornada, ele que se encontrou e se entendeu em meio a traumas herdados e os próprios traumas que a vida lhe trouxe.”Eu vivi o eco dela, eu me tornei a criança diabinho porque eu carreguei as dores dela e as dores do abandono do meu pai e as dores do próximo passo do Hellp.
Já podemos esperar grandes feitos do fazer musical dese multiartista e grande narrador não só de sua, mas de muitas histórias. Hellp transmuta a dor para a arte, mas também rega essa arte com amor, compromisso pelo ser artista e, sobretudo, abraçando tudo aquilo que o compõe.
Assista ao clipe de “O primeiro passo”:



