
A banda santista Seaport acaba de lançar o EP Mind Tricks, trazendo à tona uma nova fase de sua sonoridade com quatro faixas intensas e existenciais. Gravado no tradicional estúdio Warzone, em Santos, e produzido, mixado e masterizado por Willians “Jurema” Cruz, o trabalho consolida a Seaport como um nome promissor no cenário nacional, unindo peso, melodia e letras que provocam reflexão.
Formada por Fernando Bertuola (voz), Juliano Amaral (baixo), Carlos Cruz e Rafael Serafini (guitarras), e Henrique Souza (bateria), o Seaport reúne músicos experientes da cena underground, com passagens por bandas como Blackjaw, Old Rust, Cavve, Adelaide, Dharma Foundation e Hazy Spell.
Com bagagens distintas e anos de estrada, o quinteto transforma vivências e desilusões em um som autêntico, denso e provocativo. Para conhecer mais sobre a criação do EP, o Musicult bateu um papo com a banda, que revelou detalhes do processo de produção e as referências que inspiraram o novo trabalho.
Musicult entrevista: Seaport
O EP Mind Tricks tem uma sonoridade intensa e visceral. Como nasceu esse projeto?
Os primeiros rascunhos do que viria a ser o Mind Tricks começaram ainda na pandemia com alguns materiais que acabaram não entrando no self titled. Porém, muitas coisas ganharam novos significados no decorrer desse período. Elementos que já haviam sido escritos ganharam novas interpretações e outros foram criados, literal e musicalmente. Em paralelo, ainda tivemos trocas de integrantes, que trouxeram novas influências, vivências e concepções musicais. Então, esse tom visceral vem muito de como vivemos esse processo.
O que vocês esperam que o público sinta ao ouvir Mind Tricks?
Acreditamos que a música, como qualquer peça artística, é um eterno diálogo entre o ouvinte (observador) e o artista, e a partir dessa perspectiva tentamos construir essa conversa de coração para coração. Nossas músicas são feitas de uma maneira muito sincera e natural, então esperamos que independente daquilo que o público venha a sentir, o sentimento que eles tenham seja tão sinceros quanto o nosso.
O Seaport faz parte de uma nova leva de bandas de Santos, que sempre foi um celeiro de grandes nomes do underground. Como vocês encaram essa responsabilidade de ajudar a levar o legado da cidade pra frente?
A banda realmente surgiu em Santos, mas após todo o movimento de troca de integrantes, hoje temos membros de outras cidades da região, e por mais que sejam todas da Baixada Santista, cada cidade tem suas particularidades, que acabam trazendo experiências diferentes e influenciando as composições. Uma parte de tudo aquilo que construímos vem de um local além das influências musicais, mas das próprias experiências vividas. Então entendemos que não estamos levando só o legado da cidade de Santos, mas de toda a Baixada Santista.
A saúde mental é o universo lírico do Mind Tricks. Qual a importância, para vocês, de discutir esse tema? As letras em inglês criam uma dificuldade maior de se conectar com o público?
Vivemos em um tempo histórico em que parte significativa das dores humanas acontecem na plataforma da psique, fruto do esgotamento mental vivido pelo trabalhador dentro do capitalismo tardio. Então, para nós, é além de importante, um trecho que leva às discussões ainda mais profundas sobre os alicerces em que se ergue a sociedade humana e que consequências tem em nossos tempos.
Sem dúvida cantar em inglês é uma barreira, mas, em contrapartida, buscamos também refletir o conceito além do campo lírico, mas principalmente no campo da estética, fazendo com que a mensagem seja transmitida também por outros meios.
Um dos pontos mais interessantes desse trabalho é não ter uma sonoridade definida, algo que reflete a ideia da banda de não se rotular, não se colocar uma etiqueta. Essa era a proposta desde o começo? Criar algo totalmente livre de quaisquer amarras?
Essa sonoridade mais livre, sem amarras, é consequência direta da diversidade de influências e vivências de cada integrante. As bandas que sempre foram o norte na forma como nosso som se constitui são Fugazi, Idles, e At the Drive-in, porém cada um de nós vem de uma escola diferente dentro do rock, além de outras vertentes musicais que ouvimos. Como compomos de uma maneira bem sincera, acaba por ser uma consequência dessa “liberada sonora”.
Mind Tricks parece ser um mergulho no caos interno. Se esse EP fosse um lugar físico, onde ele estaria e o que teria lá dentro?
Em algum ponto entre a consciência e o coração.
Quais os planos com esse trabalho? O que vocês já estão armando em relação a shows de divulgação?
O plano no momento é tocar na maior quantidade de shows possíveis dentro de nossas possibilidades. Além de nosso trabalho ter ficado muito legal, queremos ter esse diálogo in loco, conseguir nos conectar com pessoas dos mais variados locais e entregar parte de nós. Estamos começando a organizar algumas coisas e queremos nesse próximo semestre levar nosso som sobretudo à capital SP e interior do estado. Evidentemente, se tivermos convites para irmos a outros estados, nós iremos, mas o plano para o momento é esse.
Por fim, deixe uma mensagem para quem leu essa entrevista
Esperamos que a galera curta nosso som, cole nos shows, troque uma ideia, dance e se divirta. No final de tudo, aquilo que levaremos deste mundo são só as coisas que vivemos.
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(*) Crédito da foto: Divulgação



