
MONCHMONCH (Créditos: Marina Mole)
Algo entre a trilha sonora do fim do mundo e os ecos de uma realidade interplanetária: é assim que soa MARTEMORTE, disco que MONCHMONCH, projeto do paulistano Lucas Monch, lançou em junho. O trabalho foi apelidado pelo artista de punk experimental de “álbum-quadrinho”, pois chega acompanhado de uma HQ com interpretações visuais das nove músicas que compõem o repertório.
Para materializar a história em quadrinhos que será vendida nos shows – e que estará disponível digitalmente para quem comprar o disco no Bandcamp –, ele convidou os artistas Atópico, Luvas Novo, Lori Rodrigues, Marcilío Pires, Violenciazinha, Sophia Tegoshi, Sofia Belém, Bruno Xavier e Luís Barreto. A arte do prefácio é de Bia Oliveira, e o design e a edição foram feitos por Alice Rocha.

“Senti a necessidade de colocar tudo isso em imagem, e desde sempre fui muito ligado a histórias em quadrinhos, não à toa, o próprio nome MONCHMONCH vem daí. É uma onomatopeia para expressar algo sendo devorado”, conta o músico, que gravou o disco entre Brasil e Portugal.
Inicialmente pensado como um EP despretensioso de músicas gravadas com a formação da banda no Brasil (MONCHMONCH conta com integrantes diferentes em Portugal), o projeto atravessou transformações sucessivas até emergir como um disco conceitual, construído entre dois continentes e múltiplas linguagens. O conceito em questão é o cenário que engloba o trabalho: bilionários colonizam Marte e, de lá, assistem – e contribuem – para o colapso da Terra. Absurdos do mundo pós-moderno são expostos com humor, ironia e um apego simbólico ao pão de queijo, transformado aqui em alegoria de desejo, poder e banalidade.
Quem é MONCHMONCH?
MONCHMONCH é um artista paulistano de punk experimental, cujo nome se origina da onomatopeia usada em HQs para expressar mordidas ou algo sendo devorado, declarando a natureza antropofágica de digerir elementos estrangeiros do rock em algo nacional. Sonoridades disruptivas, narrativas absurdas e performances viscerais estão presentes em seu trabalho, que forma uma espécie de manifesto punk solar.
Lançou seus primeiros trabalhos de maneira independente: o single Fura Balão (2015), os EPs Inato (2017), Perturbação Constante (2020), Charlie Mordidinha Jr (2021) e Sucata (2021). Em 2023, lançou o disco Guardilha Espanca Tato pela Seloki Records, com o qual firmou o seu estilo punk tropicalista, apresentando elementos incomuns para o rock, como percussões brasileiras, duas baterias, clarinetes e instrumentos não convencionais – como coolers de computadores e molas de caminhão.



