
Inquieta, multifacetada, doidinha e tudo mais, Ritas é o novo filme, estilo documentário, que celebra a plenitude do envelhecimento, mostrando de forma leve e honesta o que é viver sem arrependimentos.
Com direção de Oswaldo Santana, a narrativa é construída de maneira simples, porém não linear, misturando relatos, músicas e memórias que revelam os altos e baixos da trajetória de Rita Lee — e o melhor: é a própria Rita quem narra e revive momentos marcantes de sua vida, com o humor único que sempre a acompanhou.
Esses relatos resultam em cenas cômicas e memoráveis, como quando ela pede para a neta colocar um funk proibidão ou conta, com naturalidade, como mandou a gravadora “tomar naquele lugar”. Em poucas palavras, ela mostra que nunca foi capaz de aceitar as coisas calada — uma postura que contribuiu diretamente para sua permanência como uma figura relevante por décadas.
Ritas também celebra durante o filme o poder das parcerias na construção de sua visão artística: Gilberto Gil e Caetano Veloso a ensinaram a compor, João Gilberto a convidou para uma participação especial, e Elis Regina não apenas se tornou amiga, mas eternizou “Alô, Alô, Marciano” em sua voz.
Rita foi a artista mais censurada do Brasil. Viveu um amor profundo, foi presa, se reinventou e transformou suas dores e paixões em música. O longa retrata esses momentos com uma dinâmica envolvente, tornando os 80 minutos de duração quase imperceptíveis ao espectador.
Vale destacar que o filme tem como material de base a Autobiografia (2016) da própria Rita Lee. Isso enriquece a estrutura do roteiro, que se apresenta em pequenas pílulas de histórias, como no livro, costuradas por músicas e momentos decisivos em sua carreira.
Ritas estreia nos cinemas em 22 de maio, dia de Santa Rita de Cássia, data escolhida por Rita para ser seu aniversário (e não é o mesmo documentário disponível na Max!).
Quem assina: Danilo Costa.



