
Madball (Créditos: Lucas Santos/@luke.that.pic/Musicult)
Quando se trata de Brasil, shows no início da semana, mais especificamente numa segunda-feira, não são lá muito comuns. Mas quando falamos de uma instituição do hardcore, como o Madball, vale a pena sair de casa depois de um dia cansativo de trabalho para prestigiar um dos maiores nomes da cena New York Hardcore.
O show aconteceu na última segunda-feira (9), no Espaço Usine, antigo Clash Club, em São Paulo. Inicialmente, a apresentação estava marcada para o dia 5, mas algumas questões de logística fizeram com que a data fosse alterada. O evento, produzido pela Venus Concerts, contou com as participações de Abulia, de São José dos Campos, e dos paulistanos do Paura, que também tocaram com o Madball no dia anterior, em Santiago.
Voltando a falar de São Paulo… se você acha que um show numa segunda-feira significa casa vazia, você está MUITO ENGANADO. O Usine já contava com um bom número de pessoas na abertura da noite, às 19h, quando o Abulia subiu ao palco.

Com um som pesado, direto e com letras de protesto, a banda do interior paulista deu seu recado, trazendo no setlist músicas como “Malditos“, “Antifa” e “Vaso Ruim“, e aquecendo o público presente, que arriscou os primeiros moshpits. Um show visceral, “soco na cara” e sem firulas, bem ao estilo NYHC.

Logo depois, às 20h, foi a vez dos veteranos do Paura se apresentarem. Subindo ao palco do Espaço Usine, eles abriram o show com “Karmic Punishment“, do álbum homônimo. Em seguida, uma chuva de hits: “Urban Decay“, “Reverse The Flow“, “Truth Hits Hard” e “No Hard Feelings? Fuck You!“. Apesar dos problemas técnicos enfrentados durante a apresentação, a banda liderada pelo vocalista Fábio Prandini não deixou a peteca cair em um só momento.

Pausa para os agradecimentos, ajustes no som, e pau na máquina. Um dos pontos altos do show, pelo menos para mim, foi o momento em que a banda tocou “Level of Maturity“, clássico que abre “First Release“, primeiro trabalho de estúdio da banda, de 1995.
Uma curiosidade sobre o Paura que nem todos sabem: a banda foi fundada por ninguém mais ninguém menos que Alexandre “Farofa” Cruz. Sim, o Farofa do Garage Fuzz. E esse primeiro registro é justamente o único com ele à frente da banda. Por isso é tão especial.

Logo depois, “The Privilege” e “History Bleeds” fecharam o show, encerrado com algumas palavras de Prandini, que humildemente pediu desculpas por quaisquer erros durante o show. “Estamos há 36 horas sem dormir, sem nos alimentar direito, não conseguimos descansar, mas a gente faz isso porque ACREDITA muito. Valeu, São Paulo”, disse o veterano.
Madball

“We don’t fake it, we just take it!”. Enquanto o Madball se preparava para subir ao palco, o sentimento em todos os presentes parecia ser o mesmo: todos quietos, ouvindo na mente a frase que abre o disco Set It Off, clássico da banda, que completou 30 anos neste ano. O show, que estava marcado para começar pontualmente às 21h, sofreu um pequeno atraso e foi magistralmente aberto pela música que dá nome ao disco.
Como mencionei anteriormente, mesmo em uma segunda-feira cansativa para a maioria das pessoas que estava no Usine, não houve o menor sinal de timidez ou vontade de poupar o corpo para enfrentar o resto da semana. Bastou o primeiro acorde ser tocado para um grande moshpit se abrir e as primeiras pessoas começarem a se jogar do palco como se não houvesse amanhã.

E essa também era a energia do vocalista Freddy Cricien, que simplesmente NÃO PAROU QUIETO durante toda a apresentação. Filho de uma cubana com um colombiano, o vocalista do Madball preferiu se comunicar com o público no dialeto que ele chama de “spanglish“, misturando maneirismos de rua do espanhol e do inglês.
Logo depois de “Set It Off“, “Smell The Bacon” e “Lockdown” vieram em seguida. Nessas três músicas, era praticamente impossível ouvir o vocalista. Pausa para regular os volumes, e a banda retomou o show, ainda mais pesado, alto e caótico.

O setlist foi um verdadeiro presente para os fãs da banda, trazendo clássicos como “Can’t Stop, Won’t Stop“, “Heavenhell” e “Rev Up“. A todo momento, Freddy conversava com o público e ressaltava como é bom estar de volta a São Paulo, onde já tocou tantas vezes e se sente cada vez mais em casa.
Um dos momentos mais icônicos do show foi quando o Madball tocou “Born Strong“. Uma fã argentina subiu ao palco e deu um verdadeiro show, com um vocal poderoso e feroz. Ao fim da música, Freddy brincou. “Acho que vou descer do palco e deixar ela finalizar o show. Está muito melhor que eu”, disse o vocalista.

Por fim, a banda encerrou a apresentação depois de uma hora e meia com “100%“, música cantada em espanhol e com clipe gravado no Jardim Arpoador, em São Paulo. Uma verdadeira e autêntica aula de hardcore, provando que nem uma segunda-feira cheia de trabalho é páreo para quem quer viver uma experiência como essa.




