
Nesta quinta-feira, 11 de julho, MaXXXine, o aguardado desfecho da trilogia de terror dirigida pelo cineasta Ti West, chega aos cinemas.
Maxxxine: crítica sem spoilers
MaXXXine segue os próximos passos da determinada Maxine Minx (Mia Goth) em sua jornada para se tornar uma atriz famosa, após sobreviver aos eventos ocorridos em X: A Marca da Morte (2022), primeiro filme da trilogia.
Agora, na década de 1980, em Hollywood, a estrela de cinema adulto consegue um papel em uma popular sequência de terror, agarrando a oportunidade com todas as suas forças. Simultaneamente, a protagonista se torna alvo de perseguição de um detetive particular e de um misterioso assassino, conhecido como Night Stalker, que persegue mulheres e, aparentemente, tem uma conexão com o passado sombrio de Maxine. Independente dos riscos, ela não deixará que nenhum problema afete suas ambições de carreira.
Cada filme do universo criado por Ti West é único à sua maneira: X é um slasher contemporâneo com cenas escuras; Pearl (2022) é um terror singular com cores vibrantes que se passa em 1918. As características marcantes de cada filme são um dos maiores pontos de destaque da franquia. MaXXXine não foge à regra: é um thriller de suspense ambientado em uma Los Angeles sombria dos anos 1980. A trilogia, em um ano de muitos lançamentos de terror, chama atenção pela sua originalidade.
O longa se inicia com uma frase da icônica Bette Davis: “Neste ramo, se você não for conhecida como um monstro, você não é uma estrela”. Esta frase dá o tom ao filme.
A ambientação de MaXXXine nos anos 1980 é impecável: trilha sonora, arquitetura, figurinos, maquiagem, noticiários televisivos e críticas ao já desgastado “Sonho Americano”, ao extremismo religioso (“pânico satânico”) e ao machismo.
A tensão é bem construída ao longo do filme, a todo momento deixando o espectador ansioso por respostas e temoroso pelo perigo e morte que virão pela frente. O longa também tem um excelente timing de tensão, drama e de humor, sabendo equilibrá-los bem e conta com um roteiro bem escrito, que confere profundidade à trama. O filme faz referência a clássicos do cinema, como Psicose (1960), Halloween (1978)e atrizes como Brooke Shields e Theda Bara.
A atriz Mia Goth se supera ao reprisar de forma brilhante o papel de Maxine Minx. Ela interpreta uma protagonista mais amadurecida e ambiciosa, que não abre mão de suas convicções: forte, determinada, independente e ainda traumatizada pelo terror vivenciado em X: A Marca da Morte, pelo sangue em suas mãos e pelo medo de perder pessoas. Vemos sua autoconfiança e aparente indiferença como mecanismos de defesa, uma extensão da sua resolução de não aceitar uma vida que não merece e passar por cima de quem ou do que for necessário para alcançar seus objetivos. Maxine não se limita ao estereótipo de protagonistas de terror.
Além de Goth, o filme conta com um elenco repleto de nomes conhecidos do público: Kevin Bacon, Lily Colins, Giancarlo Esposito, Michelle Monaghan e Halsey. Apesar da atuação impecável de Goth, nota-se um desenvolvimento raso dos personagens secundários que tem seu potencial mal-aproveitado. A lista de nomes consagrados acaba soando meramente como uma estratégia de marketing para chamar a atenção do público.
Há personagens interessantes, mas ao quais falta tempo de tela para maior aprofundamento, algo que afeta até o mesmo o envolvimento do público com determinadas mortes. Personagens como o detetive John Labat e o vilão do filme (sem spoiler sobre sua identidade), por exemplo, são personagens interessantes e que poderiam facilmente ser melhor aprofundados, mas acabam sendo interpretados de forma caricata.
Apesar do roteiro bem-escrito, a sequência final do filme não provoca o mesmo impacto que o seu restante, mostrando-se previsível. A tensão construída ao longo do filme culmina em uma conclusão que é satisfatória, mas não surpreende.
Assim, MaXXXine é uma conclusão à altura do legado da trilogia de Ti West, trazendo à tona novamente uma Maxine implacável e cativante e um thriller instigante e bem construído até a sua reta final. Não é o ponto mais alto da saga, pois, assim como X, não tem a genialidade e o envolvimento do espectador proporcionados por Pearl, mas é inegável: Maxine é uma estrela.
Confira o trailer abaixo: