
Brujeria (Foto por Paola Oliveira/Musicult)
Com uma proposta sonora violenta, os mexicanos do Brujeria são velhos conhecidos do público brasileiro. Dessa forma, uma passagem deles por aqui é sempre bem-vinda e, o país foi presenteado com duas datas: 30 de março no Abril Pro Rock e, no dia seguinte, em São Paulo, no City Lights. O Portal Musicult assistiu à apresentação na capital paulista e, sinceramente, qualquer adjetivo menor que FANTÁSTICO não pode ser aceito. Um dos shows mais brutais que já vimos.
Uma realização do Kool Metal em parceria com a Xaninho Discos, a apresentação do Brujeria por aqui foi um verdadeiro presente para os amantes do show extremo. Marcado para as 20h, o show começou apenas 10 minutos atrasado (perfeitamente normal), enquanto o público começava a encher a casa naquela noite de domingo. Às 20h10, a banda capitaneada por Juan Brujo sobe ao palco e logo de cara o que chamou atenção foi o volume extremamente alto, mesmo para uma banda extrema como o Brujeria. Alto e definido. Ainda bem.
Sem perder tempo, os mexicanos abriram o setlist com “Esto Es“, seguida de “Colas de Rata“, “Hechando Chingasos” e “Mexorcista“. Tudo na sequência, sem muitos intervalos ou muita falação. Do jeito que o público gosta. Mesmo com a casa cheia, era possível transitar por dentro do show sem se acotovelar com muita gente, o que tornou a experiência ainda mais positiva. Com uma temática que aborda o anti-cristianismo, satanismo, violência, sexo e tráfico de drogas, o Brujeria pode parecer até ofensivo para muitas pessoas, mas acredito que isso faça parte da proposta da banda, apesar de pegar alguns desavisados de surpresa.

Um dos pontos altos com certeza foi o momento em que a banda tocou “Cruza La Frontera“. Do lado direito do palco, bem na frente, fiquei impressionado com o peso da guitarra e baixo, quebrando a “paz” do boêmio bairro de Pinheiros. Em uma rápida pausa, Pinche Peach, que comanda os vocais da banda com Brujo e Fantasma, perguntou “Están listos, São Paulo?” e, ao receber um sonoro e ensurdecedor “SÍÍÍÍÍÍÍ”, fingiu se encolher de medo, dizendo “Tranquilo, tranquilo”, achando melhor não contrariar o público presente no City Lights.
Viva Mexico, cabrón!
Particularmente, sou um grande fã dos shows sem muitas pausas, então o Brujeria foi um verdadeiro presente pra mim. Com um setlist carregado de clássicos como “Vayan Sin Miedo“, “Desmadre“, “Pito Wilson“, “La Migra” e “Brujerizmo“, a apresentação do Brujeria ficava mais pesada a cada música. E o público respondia muito bem a isso. Afinal, era o que esperavam mesmo.

A origem latino-americana e a semelhança do idioma aproximavam ainda mais público e banda que, agora já íntimos, protagonizaram um dos momentos mais divertidos do show: quando os membros da banda perguntaram se o público tinha maconha e se podiam fumar, lembrando bem quando amigos se juntam para “dar um tapa”.
Pouco mais de uma hora e meia depois, o fim do show se aproximava, mas não sem antes tocarem um dos maiores hits da banda: “Matando Gueros“, com direito a machetes nas mãos, uma cabeça decepada muito bem produzida (referência à capa do álbum de mesmo nome) e plateia ensandecida cantando junto. Se algum dia disseram para você que o Brujeria era uma banda violenta e assustadora…não mentiram. É isso tudo. E é por isso que o show é tão impactante.

Ao fim do show, a banda confraternizou com o público, que subiu ao palco ao som de “Marijuana” e, como o nome sugere, fumaram mais, obviamente, encerrando a festa em grande estilo. Viva Mexico, cabrón!
