
foto por Paola Oliveira (@aminadasbandas)
Texto por Fernando Oliveira e Letícia Pataquine
Fotos por Paola Oliveira
Há algumas semanas, fizemos uma resenha do retorno do Garage Fuzz ao Hangar 110 depois de dois anos de quarentena, que contaria com o encerramento do Sugar Kane, mas, devido a Alexandre Capilé (vocal da banda) ter pego Covid-19 dias antes, o show do Sugar Kane foi adiado para dia 30 de abril.
Enfim, sem mais adiamentos, o show de lançamento do Novidade Média, último álbum do Sugar Kane aconteceu. O evento também seria para comemorar os 25 anos de carreira da banda. E é claro que se tem aniversário, tem que rolar uma festa, né?
E foi isso que rolou mesmo, com participações das bandas Bayside Kings, Putz, O Carlos e, claro, do público.
O evento começou às 19h, com O Carlos, projeto de Carlos Fermentão, que é integrante do Zander e do Ator Morto. O projeto é novo, então eles tocaram algumas das faixas do disco lançado ano passado, O Grande Salto. Como sempre, o primeiro show da noite está mais vazio que os seguintes, mas quem chegou atrasado ou não viu o show por opção, acabou perdendo uma ótima apresentação.

A banda que acompanha Carlos estava um pouco diferente, já que é formada por seu irmão, Antônio Fermentão, Paulo Ratkiewicz e Capilé, mas que não se apresentou dessa vez para, como ele mesmo disse, “não quebrar o clima de só aparecer no palco com o Sugar Kane”, e foi substituído por Marcelo Malni (Zander)
Depois, foi a vez do palco ser tomado pela Putz, banda formada por Gi Ferreira, Cyro Sampaio (menores atos), Sara C. e Antônio Fermentão (Deb and The Mentals).

Como Sara não pôde comparecer, a Putz contou com a participação do Carlos (ele mesmo, do primeiro show) no baixo, mas essa não foi a única participação especial do show, já que Débora Babilônia (vocalista da Deb and The Mentals) se juntou à banda em uma das músicas.
A Putz mostrou estar sincronizada e a vocalista, Gi Ferreira, interagiu bastante com o público, falando sobre política e sobre a felicidade de estar no palco depois de tanto tempo.
Depois do show intenso, porém mais calmo da Putz, o Hangar veio abaixo com o peso do Bayside Kings.

A banda da baixada santista apresentou as músicas do seu mais novo trabalho, o EP Existência, primeiro da banda a trazer letras em português. Sobre a mudança, Milton Aguiar, vocalista do Bayside, disse que os anos de estrada fizeram a banda perceber que precisavam passar mais a sua mensagem, e nada melhor do que cantar em português para alcançar esse objetivo.
Além das músicas novas, o Bayside apresentou músicas dos seus trabalhos anteriores, com destaque para “Still Strong”, “Freedom”, “Sober” e “The Underdog”. Entre uma música e outra, Milton discursou também sobre as pessoas cuidarem umas das outras, tanto ali no espaço do show quanto fora dele, sobre as eleições e sobre o quanto perdemos tempo pensando em fazer algo quando tudo o que temos é o presente.
Depois de se aquecer com O Carlos e Putz e dos muitos stage dives no show do Bayside Kings, o público estava mais do que pronto para o Sugar Kane, que entrou no palco às 22h.
Transitando entre sons do último álbum e músicas mais antigas (e um cover de “Alive” do Pearl Jam, que rolou na brincadeira, mas o público comprou a ideia), o Sugar Kane mostrou que 25 anos consolidaram a banda como um dos maiores nomes do hardcore nacional, mas que eles estão prontos para fazer ainda mais história.
O show foi marcado pela participação do público, que mostrou amar de verdade o Sugar Kane e cantar com muita empolgação todas as músicas, especialmente as recentes “Novidade Média”, que dá nome ao álbum, “Dependência”, “A Casa” e “Todo Mundo Burro”, e os sucessos “A máquina”, “Todos Nós Vamos Morrer”, “Divinorum”, “Será Viver”, “Medo”, “Despedida”, “Janeiro” e “Vital”, que encerrou o show na mesma energia em que começaram.

O álbum Novidade Média traz uma temática que já vinha sendo trabalhada no penúltimo álbum da banda, Ignorância Pluralística (2014), que já parecia prever o caos sociopolítico que o mundo inteiro enfrenta nos dias atuais, e o álbum novo veio para consolidar essas ideias, porém, com o retorno de Vini Zampieri para a banda, é possível perceber uma sonoridade diferente do álbum anterior.
Por conta das músicas de cunho político, Capilé discursou bastante sobre o tema, ressaltando a influência que o punk rock teve na vida dele para abrir seus pensamentos. Aliás, Capilé falou bastante nesse show, não só sobre política, mas também sobre a história de muitas das músicas, sobre conversas com fãs, sobre a formação da banda, mas, sobretudo, sobre a importância, percebida ainda mais na pandemia/quarentena, que o Sugar Kane tem em sua vida, prometendo continuar por muito tempo.
A gente espera que essa promessa se cumpra e que a gente possa estar presente em muitos outros aniversários do Sugar Kane!



