
Apto Vulgar (Foto por Gustavo Amaral @lagustaveira)
Pesado, questionador e ideal para extravasar ou te colocar para pensar: é assim que Sabotagem, da Apto Vulgar, soa a quem o ouve pela primeira vez (e segunda, e terceira…etc.).
“Milhas e milhas andando nessa escuridão/ Eu não me sinto confortável com a situação/ Só mais um passo atrás/ Querendo sempre mais/ Mais do que você pode ter pra se sentir capaz”
trecho de “Controle as rédeas”
Com 10 faixas, o segundo disco do quarteto de Jacareí, interior de São Paulo, traz mensagens de alerta e questionamentos sobre o cotidiano difícil de todos os brasileiros que buscam força para seguir em frente, lutar pelos seus objetivos e viver de forma digna.
O hardcore, como um movimento sociocultural que vai além de se fazer música, busca abrir a mente do indivíduo como parte de um mundo e suas desigualdades, adversidades e crueldades, ao mesmo tempo um espaço e tempo do amor, da felicidade, de amizades e de respeito à diversidade. E dentro deste segmento, a Apto Vulgar cumpre muito bem esse papel, com letras diretas e um instrumental pesado.
“Controladores lideram mentes fracas!/ Apologia a tortura bem na sua cara/ Acorrentados! Seguindo sempre acorrentados!/ Mais um bloqueio social criado pelo Estado”
Trecho de “Muros Privilegiados”
Gravado ao longo de 2021 no 1100 Estúdio, em Diadema (SP), Sabotagem soa propositalmente cru e orgânico: escancara o punch dos acordes e realça a quebrada da bateria graças à cuidadosa mixagem e masterização do produtor Vinicius Buchecha.

O álbum mostra o amadurecimento do Apto Vulgar, tanto na sonoridade, colocando o hardcore old school em diálogo com variáveis contemporâneas do gênero ou misturando com hip-hop e heavy metal, como também nas mensagens das letras, que trazem urgentes críticas sociais, questões da conduta humana e sobre a vida cotidiana.
“Sabotagem é um disco sólido, onde conseguimos nos expressar de várias formas através da música, contar várias histórias, cada uma delas fala de alguma coisa real, um problema social ou interno. É um disco político de várias formas, é sobre amor, sobre raiva, e todo tipo de sentimento que podemos ter!”, comenta o vocalista Bonzo.
Dorgs (guitarra), Luciano Leres (bateria) e Rafael “Mortão” (baixo) completam a banda, na ativa desde 2012 e que, recentemente, no pré-lançamento de Sabotagem, fez shows ao lado de grandes nomes do punk e do hardcore, como Ratos de Porão, Bayside Kings, Surra e Garage Fuzz.
E por falar em Bayside Kings, outro nome da atual revolução do hardcore nacional, o vocalista Milton Aguiar canta ao lado de Bonzo em uma das faixas do disco, “Tempo e Espaço” (que foi destaque na nossa lista de lançamentos de fevereiro). A música é uma das mais impactantes de Sabotagem, com uma dinâmica que vai crescendo e repleta de referências ao hip hop.
Neste momento da carreira, com quase 10 anos de estrada, o Apto Vulgar reforça a urgência do hardcore na indústria musical, não apenas num nicho, mas também abrindo brechas e mentalidades com um disco forte, de letras diretas e reflexivas sem ofender ou julgar.
“Mostra um caminho paralelo a propagandas, uma forma de ver além daquilo que vemos é principalmente consumimos”, conclui Bonzo.
A Apto. Vulgar
De Jacareí, interior de São Paulo, a Apto Vulgar existe desde 2012 e é formada por Bonzo (vocal), Dorgs (guitarra), Luciano Leres (bateria) e Rafael “Mortão” (baixo).
Os primeiros singles foram lançados em 2016: “Resistência” e “As Grades”, sucedidos em 2017 pelo primeiro disco, Sistema Não Operacional, com oito faixas de um hardcore direto e reto, metalizado.
Em 2018 veio o EP, O Inimigo, que assim como o debut, trazia agressividade nos riffs e nas letras para refletir sobre questões políticas e sociais do Brasil, uma marca que o Apto Vulgar carrega até hoje em suas composições.
Siga a banda no Instagram: @aptovulgar



